Edmar acompanha o Packers desde o século passado e é interessado por tudo que envolve essa franquia quase centenária. Fã assumido de Ted Thompson, tenta provar que não é apenas mais um lover...

Com os recentes cortes de Sam Shields e James Starks, Ted Thompson começa seu planejamento para a temporada de 2017 se “livrando” de dois heróis da campanha de 2010, quando o Lombardi Trophy voltou para o Lambeau Field.
No ano do título,  Starks adicionou um elemento novo até então ao ataque de Mike McCarthy, que sofreu a temporada inteira com falta de um jogo corrido competente (O próprio Starks perdeu 13 jogos da temporada regular por uma lesão no joelho durante o training camp). O recém “draftado” estreou na semana 14 e com 315 jardas em 4 jogos Starks foi o líder em jardas corridas nos Playoffs de 2010-2011, quase 100 jardas a mais que o segundo colocado.
Sam Shields também era um rookie naquela campanha, recém promovido ao time titular após mudar de posição durante o verão (jogou como wide receiver na universidade de Miami, Flórida), Shields fez parte de uma grande secundária que tinha Charles Woodson e Nick Collins como suas grandes estrelas. Na rotação de cornerbacks ao lado de Tramon Williams, Shields foi bastante exigido durante a temporada e deu conta do recado, terminando os Playoffs como líder em tackles (13), sacks (empatado com Ike Taylor e Drew Coleman com 1 sack cada), 2° colocado em interceptações (2) e passes defendidos (3) ambos logo atrás de Tramon Williams.
Agora, os Packers terão que olhar para frente, em duas áreas que sofreram bastante com lesões e performances na temporada 2016-2017. Para isso trouxemos os colaboradores Edmar Neto e Carlos Ximenes para começar as nossas próprias especulações para a temporada que há de vir:

Sam Shields e James Starks. Fonte:PAckersNews.com

Carlos Ximenes:
Nessa semana, os cortes de Starks e Shields pegaram uma parte da torcida de surpresa e outra parte nem tanto. O corte de Starks já era bem esperado, a grande polêmica foi o corte do cornerback Sam Shields. Essa dispensa dividiu a torcida, eu sou do grupo que achou acertado o corte. Shields sempre lidou com concussões em sua carreira e sabemos que concussões são um problema grave, que no longo prazo pode causar muitos danos à saúde do atleta.
Além disso, Shields tinha um alto salário. Ele receberia por volta de 12 milhões de dólares nessa temporada e o seu corte liberou 8 milhões e meio desse total. Esse valor pode (e deve) ser usado para trazer um novo cornerback.
Edmar Neto:
Starks teve bons momentos em sua carreira, mas nunca chegou a produzir em nível tão alto que justificaria o contrato que ele receberia esse ano. O corte do Shields também foi meio previsível visto o histórico que os Packers têm cuidando desse tipo de lesão.
Mas agora ficam dois grandes buracos em duas posições que sofreram com lesões e produção ano passado. Existem boas opções no mercado e no Draft que Ted Thompson pode explorar, resta saber para que lado ele vai.
C.X.:
Quanto aos buracos deixados, acho que não serão sentidos. Pois, devemos ir atrás de jogadores na posição durante a offseason. Acredito que Starks não precisa de substituto, Eddie Lacy é o titular, Ty Montgomery mudou definitivamente de posição e agora faz parte do grupo de running backs, e Christine Michael é um sólido reserva.
Já a substituição de Shields será mais importante, uma vez que ele era nosso melhor cornerback. Porém, existem bons nomes no mercado de free agency que podem virar alvos como Justin Gilmore e Trumaine Johnson. Ou, caso a opção para substituir Shields seja via draft, Sidney Jones é um bom jogador que deve estar disponível na nossa escolha.
E.N.:
Não acho que os buracos não serão sentidos. Em duas temporadas perdemos os quatro cornerbacks titulares de 2014 (Tramon Williams, Davon House, Casey Heyward e agora Sam Shields), não é de se estranhar uma grande queda de produção nesse setor. O problema é que dificilmente Ted Thompson irá atrás de grandes nomes no free agency. Isso é um pouco mais preocupante nesse ano, pois além dessas duas “necessidades extras” existem as outras posições no elenco que precisam de caras novas, como outside linebacker, inside linebacker, wide reciever, tight ends entre outros.
Sem contar que tanto Lacy quanto C. Michael são free agents, e isso coloca um pouco mais de pressão nos ombros de Ted já que é virtualmente impossível suprir todas as necessidades do time escolhendo jogadores na 29° posição do draft. Seja subindo no draft com trocas ou gastando um pouco no free agency, o time precisa que “TT” se mova mais nesse ano.
C.X.:
Eu acredito que o Modus Operandi do nosso GM vai ser diferente nessa offseason. Vai não, já está sendo. Ted Thompson não costuma cortar jogadores, normalmente eles saem quando o contrato acaba.
Sobres as renovações, temos muito salary cap disponível (estima-se quase 43 milhões), acredito que conseguiremos manter os principais jogadores como T.J. Lang, Lacy, Micah Hyde e Julius Peppers (caso ele não se aposente). Nick Perry é a grande dúvida, fez a temporada da sua vida e não duvidaria se ele quisesse testar o mercado. Caso isso ocorra, “TT” tem várias opções de cornerbacks via free agency (além dos dois citados acima, A.J. Bouye, Prince Amukamara, Morris Claiborne, Deshawn Shead, Ross Cockrell, Dre Kirkpatrick entre muitos outros podem ficar disponíveis) e pegar o T.J. Watt – linebacker, Wisconsin (irmão mais novo de J.J. Watt) no draft ou ir de pass rusher na free agency e pegar Sidney Jones – cornerback, Washington no draft.

Segue abaixo, as melhores jogadas de T.J Watt, irmão de J.J Watt:

E.N.:
Eu acho muito cedo para falar em nomes, nem todos os jogadores do College já se candidataram ao draft, o Combine ainda nem aconteceu e acima de tudo ainda temos um mês para que o mercado de free agency se abra, até lá muitos dos nomes de hoje renovarão com seus times ou ficaram sujeitos à franchise tag.
Mas eu acredito que Ted Thompson deva seguir esta linha mesmo, ele deve atacar de pass rusher no draft e cornerback na free agency (ou vice-versa). Pessoalmente acho que a lista de possíveis cornerbacks free agents me agrada mais que a de pass rushers, mais ainda pela necessidade de um veterano ali já que nenhum dos jogadores sob contrato tem mais de duas temporadas na carreira.
C.X.:
Na parte do draft concordo com você, ainda tem muita coisa para acontecer até lá.
Sobre a free agency eu iria de cornerback por dois motivos: 1. O mercado aparenta estar mais “cheio” de cornerbacks e 2. Nossos cornerbacks são jovens e precisam de um cara para assumir a responsabilidade. Como o que o Nelson fez com os wide receivers esse ano, o que acarretou na melhor temporada da carreira do Adams.
E.N :
Sim, depois de tantas perdas de cornerbacks em poucos anos a presença de um veterano é necessária. Mesmo que seja apenas um jogador para participar da rotação, é importante que TT adicione alguém mais experiente ali, mesmo que busque alguém mais “talentoso” no draft.
Quanto ao draft, surgem algumas incógnitas devido a muitas incertezas em duas posições carentes. Running backs e outside linebackers devem passar por uma bela reformulação até julho. Eu acredito que o Montgomery tem tudo para ser um running back de sucesso na NFL, ainda mais com a crescente utilização de running backs recebendo passes, um jogador versátil como ele ali faz toda a diferença. Pessoalmente, eu acho que o Lacy é a contraparte ideal e ter ambos no elenco para o ano que vem é uma combinação que me agrada os olhos. John Crockett pode servir como terceiro running back e uma peça ou outra deve chegar para disputar espaço.
C.X.:
A classe de running backs desse draft está muito boa. Por isso, acredito que devemos pegar um corredor no meio do draft, para ser reserva. Acho que Lacy e Montgomery aparecem com uma das duplas de running back com mais potencial de toda a liga. Eu também renovaria com Michael, dependendo do valor pedido por ele. É um bom nome para ser 3° running back.
E.N.:
Eu gosto do Crockett como 3° running back, acho que ele corre bem fisicamente e consegue dar conta do recado quando precisa. Mas sendo uma posição que geralmente sofre com lesões, também apostaria em uma escolha de 5° 6° ou 7° rodadas em um running back.
Porém, vejo que Lacy e Michael tem o mesmo valor de mercado, e dificilmente ambos ficam em Green Bay. Mesma situação que deve acontecer com Datone Jones e Nick Perry, ambos assinaram contratos com valores parecidos no passado e deverão atrair alguma atenção no mercado. Acredito que apenas um deles fica, mas independente disso, vejo outside linebackers como a prioridade N°1 para o draft desse ano.
C.X.:
Perry eu acho que dificilmente fica, jogou a temporada da sua vida e deve testar o mercado. Jones deve renovar. Caso Perry realmente saia, devemos ir atrás de um pass rusher no draft. E ainda tem a questão Peppers, se ele realmente se aposentar podemos perder até 3 outside linebackers.
Nesse caso só o draft não resolve, também teríamos que ir ao mercado. Nomes dessa free agency que me agradam são DeMarcus Ware e Robert Mathis, mas ambos já estão velhos. Restariam Barkevious Mingo e Paul Kruger e no draft eu iria de T.J. Watt.
E.N.:
De novo, eu acho muito cedo para criar expectativas com nomes na free agency. Mas concordo que devido ao número de possíveis perdas, “TT” deve correr atrás de algumas opções no mercado também. Uma possível saída seria o retorno de Lerentee McCray que deverá testar o mercado mais uma vez. Com uma classe talentosa de outside linebackers no draft, um veterano para entrar na rotação é bem-vindo.
Eu acredito que tanto Perry quanto D. Jones têm qualidade para testar o mercado, mas sendo o mais talentoso dos dois, eu tenho certeza que TT vai fazer um grande esforço para manter Nick Perry no time. No draft eu acredito que T.J. Watt não seja “o nosso cara”. É bom jogador e tem um bom teto, mas acho que ele está recebendo muita atenção pelo nome que carrega, creio que após o Combine ele deva sair entre a segunda e terceira rodada.
Se eu fosse apostar em alguém, minha aposta iria para Takkarist McKinley – outside linebacker, UCLA. Mckinley faz mais o “estilo” de jogador que agrada a Ted Thompson e Dom Capers na defesa, extremamente físico e com potencial de elevar sua técnica, sem contar que ele se cair até a 29° escolha, ele com certeza será “o melhor jogador disponível” ali. Green Bay tem tido um bom histórico com programas da conferência PAC-12, principalmente com a UCLA, e acho muito provável que a tendência continue.

Abaixo, algumas boas jogadas de Mckinley jogando por UCLA:

 

Até o próximo direto da redação, Go Pack Go!