Faaaaaaaaaaala nação cabeça de queijo!!! É carnaval! É festa! Todos aproveitando bem o feriado? É nesse clima que voltamos com a “De Olho nos Rookies”. Agora que o Super Bowl passou as atenções do mundo do futebol americano e da NFL se voltam completamente para a temporada 2018, pois o Combine, a Free Agency e o Draft se aproximam cada vez mais e todos os dias surgem um mar de notícias, mock drafts e especulações sobre todas as franquias da liga.

Mas deixando esse “Carnaval da Bola Oval” um pouco de lado por enquanto, vamos falar sobre uma das unidades mais importantes do esporte e que é fundamental para o sucesso (ou não) de um time. Esta unidade é a linha ofensiva.

Muita gente não repara no trabalho desses grandalhões durante um jogo, e muitos dizem que quando olham para as “trincheiras” enxergam apenas um monte de jogadores batendo e trombando uns nos outros. Outros ainda cometem a heresia de dizer: “Esses caras não são importantes, eles nem encostam na bola”.

Mesmo assim, devemos dar o devido valor à esses homens, pois sem eles o ataque de time nenhum funciona, ainda que tenha um quaterback elite, um runnig back explosivo ou um grupo de recebedores espetacular. E para a próxima temporada o nosso glorioso Green Bay Packers terá que dar uma atenção especial para a (re)construção da nossa linha ofensiva, já que nenhum de nós quer correr o risco de que Aaron Rodgers se machuque novamente (batam na madeira 3 vezes por favor) ou ainda que o nível do nosso jogo terrestre caia de novo.

Fazendo uma análise da nossa OL atual, podemos dizer que duas posições estão “fechadas”, a de left tackle com o Pro Bowler David Bakhtiari e a de Center com o sempre consistente Corey Linsley. O problema é que depois deles não há nenhuma certeza para os Packers…

Brian Bulaga é ótimo, mas não consegue ficar saudável e tem um salário alto para o que produz; como guards temos um bom Jarhi Evans (que pode se aposentar) e o regular Lane Taylor. Mas e atrás deles? O que temos são jogadores que demonstraram algum potencial em 2017 como Lucas Patrick e Justin McCray; um Jason Spriggs que se machucou mais uma vez e ainda não justificou o trade up que demos para pegá-lo no draft em 2016; e Kofi Amichia, jogador escolhido na 6ªrodada de 2017 e que estava no nosso practice squad.

Levando em conta que dificilmente os Packers conseguem manter uma linha ofensiva saudável durante toda uma temporada, a busca de reforços para essa posição se coloca como uma necessidade clara. Reforços que precisam chegar, seja para assumir a posição no time titular ou mesmo para compor o elenco deficiente que temos.

Até agora não houve nenhuma notícia dando conta de que Green Bay possa ir atrás de um linha ofensiva na Free Agency, portanto vamos listar alguns jogadores interessantes que podemos buscar em Abril no Draft. São eles:

 

Quenton Nelson, Guard – Notre Dame #56

Para muitos é o melhor linha ofensiva do Draft, foi All-American em 2017 e formou um lado esquerdo poderoso na OL de Notre Dame nos últimos anos, ao lado de Mike McGlinchey. Tem 1,96m e 149kgs.

Ele já está sendo monitorado há algum tempo por vários times da NFL, possui potencial para se tornar um All Pro na posição e ser uma “âncora” na linha ofensiva pelos próximos 10 anos no mínimo. Alguns analistas dizem inclusive que Nelson seria uma escolha de primeira rodada no Draft 2017 se tivesse se declarado para tal, mas ele prefiriu voltar para o último ano na faculdade e seu desempenho na última temporada só aumentou as expectativas de todos sobre o seu futuro na liga profissional.

Sem dúvida é um prospecto Top 10 (talvez até Top 5) da classe de 2018. Ele é ótimo tanto nos bloqueios para corridas quanto para passes e está sendo comparado com David DeCastro do Pittsburgh Steelers. O seu “ponto fraco” é a velocidade um pouco baixa, mas que não parece atrapalhar em nada seu desempenho em campo, ele consegue fazer um pull (jogada em que um guard “contorna” um ou mais jogadores da linha ofensiva em uma corrida) traquilamente e tem boa movimentação lateral.

“Ora, mas não podemos escolher um guard na primeira rodada!” diriam os torcedores mais exaltados. Tudo bem, eu também prefiro que quando o momento da nossa escolha chegar esteja disponível um edge rusher ou um cornerback com talento para mudar o nível da nossa defesa…mas pessoalmente, acho que na primeira rodada temos que ir com o melhor jogador disponível.

Se na hora em que os Packers estiverem no relógio o guard Quenton Nelson for o maior talento, não há o que pensar. Ele vai transformar completamente a nossa OL, e pode ser o substituto perfeito para Lane Taylor ou Jarhi Evans (caso ele se aposente), além de trazer de volta aquela “dominância” nas trincheiras que perdemos com as saídas de Sitton e Lang.

 

Connor Williams, Tackle – Texas, #55

Aqui temos um jogador “intrigante” para dizer o mínimo. Foi titular desde o seu primeiro ano no College jogando como left tackle e sempre soube usar muito bem os braços longos e a velocidade, além de mostrar boa técnica em todos os fundamentos que a posição exige.

Sempre foi muito eficiente na pass protection e conseguiu manter os edges mais rápidos longe do seu quaterback quase sempre, embora possa ganhar um pouco mais de força para jogar na NFL. Também não deixa nada a desejar trabalhando como run blocker, onde ele tem muita facilidade para abrir os gaps e chegar ao segundo nível da defesa. Williams foi All-American em 2016 e muitos davam como certa a sua escolha na primeira rodada do Draft.

Veio então o ano de 2017 e tudo mudou…ele perdeu 7 jogos na temporada por causa de uma lesão nos ligamentos do joelho, voltou para a disputa dos 2 últimos jogos dos Longhorns, mas abriu mão de disputar o Bowl Game no fim do ano para se preparar para o Combine e o Draft. Com esse ano cheio de altos e baixos, Williams não manteve o mesmo desempenho e dúvidas sobre o seu nível de jogo começaram a aparecer.

Segundo os scouts, alguns times ainda confiam muito no talento do jogador e o mantém com uma nota alta mesmo sem jogar bem há algum tempo. Por outro lado, ele já “caiu” no board de muitas equipes, que atualmente o consideram uma escolha de terceira ou quarta rodada.

Qual será a avaliação que Green Bay faz dele no momento? Será que ele voltará a jogar bem mesmo depois de uma grave lesão? Vale a pena gastar uma escolha nele?

Todas essas perguntas só serão respondidas em Abril. Por enquanto, acho que é possível dizer que se Williams estiver disponível da terceira rodada em diante podemos puxar o gatilho, afinal trata-se de um jogador que já provou o talento que tem e poderia no mínimo fazer uma “sombra” para Brian Bulaga e Jason Spriggs.

 

Billy Price, Guard/Center – Ohio State #54

Foi um dos principais jogadores dos Buckeyes nos últimos 2 anos e tem potencial para ser titular na NFL desde o primeiro dia. Price pode atuar como guard, mas a sua posição primária é a de Center. Jogando assim ele foi o vencedor do Dave Rimington Trophy 2017, premio que dado ao melhor jogador universitário da posição.

É um jogador muito técnico e que se movimenta muito bem para alguém do seu tamanho, principalmente em campo aberto. Durante toda a carreira universitária ele foi dominante quando enfrentou os nose tackles adversários, algo difícil de se ver todo dia e que pode ajudá-lo muito no nível profissional.

O seu run block é muito bom, porém o pass block pode melhorar. O maior problema de Price é o excesso de holdings cometidos (só na abertura da temporada 2016 foram 3, por exemplo), mas que pode ser corrigido com os treinamentos. Em suma, é um ótimo jogador, de um ótimo programa da NCAA e que está acostumado aos grandes jogos, logo, não deve sentir a pressão do jogo profissional.

Pode ser uma escolha valiosa para os Packers na metade da segunda rodada.

 

Frank Ragnow, Center – Arkansas #72

Para quem não acompanha College Football e quiser conhecer um pouco sobre a carreira de Ragnow, basta saber que NÃO cedeu nenhum sack em 2015 e 2016! Tem tamanho para jogar como center ou guard na NFL (1,96m e 143kgs) e é um excelente run blocker.

Estava cotado como melhor center da classe e começou a temporada 2017 novamente muito bem, até que uma entorse no tornolezo acabou com o ano dele.

A lesão também o impediu de participar do Senior Bowl e agora Ragnow está correndo contra o tempo para estar preparado no Combine, mas não se sabe se ele conseguirá participar. É uma situação triste para um excepcional jogador, e que está caindo cada vez mais mocks dos analistas da liga.

Nas últimas semanas, ele foi citado algumas vezes como um pick dos Packers entre a terceira e a quinta rodada, talvez por ter um estilo parecido com o de Corey Linsley, de muita força e explosão. Linsley foi um “achado” de Ted Thompson no quinto round de 2014 e tomou conta da posição…quem sabe Frank Ragnow não pode ser o primeiro steal de Brian Gutekunst nas rodadas intermediárias agora em 2018? É esperar pra ver…

 

Mason Cole, Tackle e Center – Michigan #52

Cole é mais um jogador que foi titular desde o seu primeiro abo em 2014, e atual principalmente como left tackle e center pelos Wolverines. Para o nível profissional ele é tido como um atleta que pode atuar em qualquer uma das posições da linha ofensiva.

O fato de ser versátil talvez seja o maior trunfo e a maior fraqueza de Mason Cole, pois ele atua bem em todas as vertentes do jogo: abre bem os gaps para a corrida, protege bem o quaterback, tem boa agilidade…mas ao mesmo tempo não é o mais forte, nem o mais alto, nem o mais forte jogador disponível nesse draft. É aquele típico caso do cara que é bom em tudo, mas não é excelente em nada.

A questão é que o Green Bay Packers adora jogadores de linha ofensiva versáteis e nos últimos anos sempre tivemos pelo menos um desses no elenco, como Lucas Patrick em 2017 e, que não se lembra do “querido” Don Barclay?

O jogador de Michigan tem potencial para ser muito melhor que estes dois citados acima. Alguns até acreditam que os Packers podem escolhe-lo na terceira rodada e transformá-lo no J. C. Tretter 2.0, ou seja, uma escolha segura e que pode se tornar muito útil no elenco, pelo menos como um reserva que se for acionado não deixará o nível da OL cair.

 

Austin Corbett , Tackle e Center – Nevada #73

Mais um nome que vem ganhando força nas últimas semanas entre os scouts. Corbett joga em Nevada, uma universidade com menos expressão no futebol americano se comparada com Alabama, LSU, Florida State e outrs mais badaladas. Porém, ele é tido como um possível steal nas rodadas finais do draft.

Ele é grandalhão (1,93m e 138kgs) e muito físico. Atua de forma boa no jogo terrestre e faz um trabalho decente no jogo aéreo, embora tenha que melhorar um pouco sua técnica de mãos. Ele é o primeiro jogador de Nevada a ser convidado para o Combine desde 2015 e seu desempenho nos testes físicos podem dar uma idéia melhor do nível de jogador que ele é e o quanto precisa evoluir.

Para nós cabeças de queijo, no momento basta saber que Corbett já foi descrito como “O tipo de jogador de linha ofensiva que os Packers já acertaram em cheio no passado”.

 

Outros jogadores para ficarmos de olho:

Mike McGlinchey, tackle – Notre Dame

Orlando Brown, tackle – Oklahoma

Kolton Miller, tackle – UCLA

Martinas Rankin, tackle – Mississippi State

Casey Tucker, tackle – Stanford

K. C. McDermott, tackle/guard – Miami

Will Hernandez, Guard – UTEP

Isaiah Wynn, tackle/guard/center – Georgia

Braden Smith, guard – Auburn

Scott Quessenberry, guard/center – UCLA

Cody O’Connell, guard – Washington State

 

É isso aí galera cheesehead! Esses são mais alguns jogadores que podem aparecer em Green bay a partir do próximo training camp. No mundo ideal, os Packers escolheriam um jogador para cada posição da linha ofensiva (tackle, guard e center), entretanto, duvido que isso aconteça. Afinal, também temos outras carências na equipe e o nosso staff sempre deu muito valor aos jogadores que são desenvolvidos no Lambeau Field, além de sempre colocar jogadores não draftados no roster final e no practice squad.

Acredito que investiremos duas escolhas de draft em OL, com pelo menos uma delas sendo em um jogador que tenha a capacidade de jogar em mais de uma posição, algo que os Packers adoram. Quanto ao nome dos jogadores escolhidos, vai depender é claro de quem estiver disponível nas nossas escolhas e principalmente do estilo de jogo que Joe Philbin quiser implantar, algo um pouco difícil de se imaginar agora já que muitas mudanças ocorrerão em nossa comissão técnica. É esperar para ver…

Na coluna da semana que vem falaremos sobre a posição de Inside Linebacker. Um ótimo fim de feriado à todos e…GO PACK GO!!!