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O esporte americano está recheado de boas histórias envolvendo maldições e uma das mais conhecidas é a Maldição do Bambino (Babe Ruth) do Boston Red Sox. O time havia vencido quatro dos últimos sete campeonatos da Major League Baseball, e após vender o seu melhor jogador para o New York Yankees, o Red Sox ficou 86 anos sem vencer uma World Series, já o Yankees venceu 26 vezes. No futebol americano não é diferente porque duas maldições estão entre os rivais da NFC North. Um deles é o Detroit Lions que tem a Maldição de Bobby Lane, que após ter sido trocado com o Steelers teria dito “O Lions não vencerá por 50 anos”. Nesse período, o Lions teve a marca de 1-10 em jogos de pós-temporada e nunca disputou o Super Bowl. Em 2008, último ano da maldição, o Lions teve a pior campanha da história com 0-16 e para completar, o Super Bowl daquele ano aconteceu em Detroit, na casa do Lions e o campeão foi… Steelers, time onde Lanne foi jogar quando saiu do Lions. O segundo time foi o Chicago Bears que tem a conhecida Maldição das Honey Bears. Em 1977, o então dono do time montou um grupo de Cheerleaders cahamdo Honey Bears. Quando George Halas faleceu em 1983, o time ficou para sua filha, Virginia Halas que não queria as Cheerleaders no time por acreditar que eram objetos sexuais e tentou eliminá-las. Como as Honey Bears tinham contrato até 1985, elas continuaram apoiando o time que  chegou ao Super Bowl em seu último ano de contrato e vencendo de forma arrasadora o New England Patriots por 42×10. Virginia decidiu não renovar o contrato com as Honey Bears e, desde então, o Bears nunca mais foi campeão da NFL. Assim, o time amargou uma derrota no Super Bowl XLI para o Colts de Peyton Manning e um duro golpe na final da NFC de 2010, perdendo em casa para o seu maior rival, o Packers.

Babe Ruth vestindo um dos dois uniformes mais clássicos da MLB

O Packers e a dura vida no overtime

Brett Favre foi um dos maiores quarterbacks da história da NFL. Foi o principal nome do Packers por mais de 15 anos com uma série de recordes da franquia e da NFL. É um dos mais adorados jogadores que já vestiram a camisa do Packers, mas a sua despedida do time não foi nem de perto a mais amigável. Após uma dura derrota na prorrogação para o Giants na final da NFC de 2007, o jogador anunciou sua aposentadoria em março de 2008. Logo depois do Draft daquele ano, Favre decidiu que ia continuar jogando, possivelmente queria uma despedida menos dolorida que aquela derrota, porém o Packers decidiu seguir em diante sem Favre e nomeou Aaron Rodgers como o quarterback titular do time, tendo inclusive draftado dois quarterbacks para disputarem o cargo de back up. Favre acabou virando moeda de troca e foi para o Jets, tendo jogado ainda no Vikings, rival histórico do Packers. Teria Brett Favre jogado sua maldição contra o Packers por seguir a vida sem o atleta? Após analisar o desempenho do time desde então, encontramos um momento que pode ter sido o alvo da maldição. Aquela derrota amarga no overtime de 2007 iria se repetir, e não seria uma ou duas vezes. Desde então, o Packers nunca mais venceu uma partida na prorrogação, seja na temporada regular ou nos playoffs, tendo sofrido três eliminações nos playoffs de maneira ainda pior que aquela, e com diversos fatores estranhos levando o jogo a esse resultado. Vamos analisar jogo a jogo.

2008 – Packers @ Titans, semana 9: Em um jogo disputado, o Packers estava encarando o invicto Titans, em Tennessee. O Packers ficou atrás do placar o jogo inteiro, mas Mason Crosby converteu um field goal no último quarto e levou o time para a prorrogação. No overtime, veio à primeira de uma série de derrotas; um field goal de Bironas decretou a vitória do time da casa.

2008 – Packers @ Bears, semana 16: Após vencer o Bears na semana 11, o Packers vinha de 4 derrotas em sequencia (Saints, Panthers, Texans e Jaguars) e buscava um vitória contra o grande rival. O time começou bem e chegou ao  o intervalo com uma vantagem de 14×3, mas o rendimento no segundo tempo foi muito abaixo e o Bears devolveu os mesmos 14 pontos em menos de 1 minuto. Mason Crosby converteu um field goal deixando o jogo em 17×17. Na prorrogação, o Bears venceu o coin toss, moveu a bola e deixou em posição para o Kicker Robbie Gould converter o chute e dar a vitória para os donos da casa.

2009 – Packers @ Cardinals, Wild Card Round: Depois de um ano complicado, Aaron Rodgers comandou o Packers e o time voltou aos playoffs. No Wild Card Round foi até Phoenix enfrentar o Cardinals de Kurt Warner em um dos jogos mais sensacionais da história dos playoffs. Packers e Cardinals combinaram para 96 pontos no jogo, maior pontuação da história de um jogo de playoff. O Cardinals começou melhor e foi para o intervalo com uma vantagem de 14 pontos (24×10), no terceiro quarto os times anotaram 14 pontos cada e ficau para a última parte do tempo regular as maiores emoções. O Packers anotou 3 touchdowns no quarto final, sendo o terceiro o de empate faltando menos de 2 minutos.  Na prorrogação, o Packers venceu o coin toss e teria a posse de bola. No drive inicial, um facemask claríssimo em Aaron Rodgers não foi marcado pela arbitragem que deu sequencia na jogada. Em seguida, o sack e um fumble na sequência e bola recuperada por Karlos Dansby que retornou até a endzone selando a vitória e mantendo a maldição de Favre ativa.

Facemask de concurso não marcado na bola que decidiu o jogo

2010 – Packers @ Redskins, semana 5: Após a difícil eliminação na temporada anterior, o Packers buscava os playoffs mais uma vez. Chegou a Washington com campanha 3-1, o Packers vencia por 13-3 até o último quarto, o Redskins mostrou poder de reação e empatou o jogo no quarto final, na prorrogação, a Favre Curse mostrou que não estava para brincadeira e o Packers foi novamente derrotado, um field goal de Gano selou a virada do Redskins.

2010 – Packers Vs. Dolphins, semana 6: Na semana seguinte, o Packers recebeu o Dolphins no Lambeau Field. O jogo foi parelho do início ao fim terminando em mais um empate 20×20. Este seria o primeiro jogo do Packers indo para a prorrogação no Lambeau Field sem a presença de Brett Favre, e mais uma vez o Packers saiu derrotado. Um field goal do Dolphins selou a segunda derrota em overtime seguida e deixou o time com campanha 3-3.

2013 – Packers Vs. Vikings, semana 12: Em uma temporada cheia de altos e baixos, o Packers estava sem Aaron Rodgers e em situação difícil na tabela, uma derrota nesse jogo poderia encerrar a temporada do Packers. A campanha era 5-5 e Scott Tolzien não conseguia mostrar um bom trabalho substituindo Aaron Rodgers. O time perdia por 20×7 no final do 3º quarto, mas McCarthy substituiu  Tolzien por Matt Flynn que conseguiu um comeback histórico levando o jogo para a prorrogação. Na prorrogação, o Packers conseguiu anotar um field goal, mas na nova regra da NFL, se o ataque não marca um touchdown, o time adversário recupera a bola. Assim, o Vikings teve uma posse de bola e empatou novamente a partida. No melhor resultado em uma prorrogação desde a “Maldição de Favre”, o jogo acabou empatado e o Packers ficou com campanha 5-5-1.

2014 – Packers @ Seahawks, Final da NFC: Em 2014 o Packers mostrou muita força. Aaron Rodgers voltou a ser o MVP da liga e o Packers finalmente voltava a uma final de NFC com a campanha #2. O Packers foi a Seattle enfrentar o Seahawks e decidir quem iria para o Super Bowl. Com um início avassalador da defesa, o Packers forçou turnovers e foi para o intervalo vencendo por 16×0. O Segundo tempo desse jogo foi um dos mais dramáticos na gigante história do Packers. O sobrenatural invadiu o campo e o Seahawks anotou 22 pontos, com direito a conversão de 2 pontos, fake field goal para touchdown e onside kick recuperado em um dos lances mais desastrosos da história. O Packers ainda mostrou reação e conseguiu empatar o jogo em um Field Goal de Mason Crosby.  Anos depois, o Packers voltava a um overtime em uma final de NFC e o desfecho voltava a ser o mesmo, o Seahawks venceu o coin toss e Russel Wilson liderou o time a vitória anotando um touchdown em sua primeira posse, tirando a chance do ataque do Packers de voltar a campo.

2015 – Packers @ Cardinals, NFC Divisional Round: Em uma temporada inconstante, o Packers sofreu para chegar aos playoffs e iria decidir fora de casa. Após vencer o Redskins, era hora de voltar a Phoenix para um jogo de pós-temporada. Semanas antes, o Cardinals havia vencido o Packers no mesmo estádio sem tomar conhecimento do time, dessa vez o momento era um pouco diferente. O Cardinals saiu na frente, mas o Packers fez um jogo duro e virou o placar. O Cardinals voltou a liderar no último quarto deixando o Packers 7 pontos atrás com poucos segundos no relógio. A conexão Aaron Rodgers-Jeff Janis funcionou e o Packers empatou o jogo com uma Hail Mary de 55 jardas. Na prorrogação, nova polêmica com a arbitragem, o coin toss ficou marcado por uma confusão na hora das escolha e pela moeda que não girou no ar o Cardinals ficou com a posse e mais uma jogada que será sempre lembrada com amargor pelo torcedor do Packers. Um passe para Fitzgerald que recebeu livre, quebrou tackles e avançou quase o campo inteiro. Na jogada seguinte, o touchdown e a maldição reafirmada.

Oito anos se passaram desde que Favre foi trocado pelo Packers e o surgimento da maldição. Resta saber por quanto tempo Favre amaldiçoou o time e que esta acabe com a aposentadoria de seu número e a inclusão do atleta no Hall da Fama em Green Bay e na NFL. Que ele envie, também,  bons pensamentos e a maldição seja para que os rivais do time assistam a uma sequencia de conquistas e novos Lombardis em Titletown.

 

 

 

  • Humberto Newsome

    2014 foi muito triste. Mas o Packers não tem maldição nenhuma. Foram apenas situações iguais em todos os momentos até entao. Um time forte e diga-se de passagem caro nao tem essa de azarado. O LANCE É TRABALHO! E o Futebol Americano é imprevisível.

    • Valeu pelo comentário Humberto, tomara que não seja nada disso mesmo e a gente volte a vencer a NFC e o Super Bowl, NO OVERTIME! Hehehe

  • Márcia Soares

    hahahaha excelente texto! e confesso, bateu um medinho..

    • Valeu Márcia, que tenha apenas um momento delirante e os dias de vitórias nessas situações retornem.

  • Gabriel Aragão Rodrigues Pereira

    Achei interessante a análise, afinal, diferente da Bobby Layne curse, está não é uma maldição confirmada que o jogador fez, ótimo trabalho de pesquisa.

    • Valeu Gabriel, fico feliz que tenha gostado e muito agradecido pelas palavras.

  • Vinicius Vargas

    kkkkkkk, maldição ou não… q não tenhamos q ir para o OT, pq tá de mais… de 9 OT perdemos 9… #GoPackers #HeartGreenAndGold

  • Jonas Alves

    Acho que 2014 é mais inesquecível do que 2015, foi anormal, e só de lembrar que o TD no OT foi de uma bola jogada praticamente “sem direção” por um Russel Wilson quase sacado, torna a história ainda mais dura!!! O amigo ali disse que não é maldição, mas são acontecimentos muito enigmáticos pra não ser maldição kkk… A cada texto mais vontade de ler no cheeseheads.com.br dá!!! ótimo trabalho! #GoPackGo

  • Igor

    Excelente post. Parabéns a vocês do site. As matérias estão sensacionais. 👏👏👏👏

  • Valmir

    Não tem maldição, tem lances de azar e principalmente falta de foco, vide bostick..en fim, esse ano vai..
    Rodgers já era para ter vencido outro sb