Rookie do Cheeseheads Brasil, torcedor do Maior time da NFL desde os 11 anos. Fanático pela história desse tal time de Wisconsin que amamos. E Torcedor do Legítimo Campeão da Copa do Brasil de 94.

Foto: Arquivos do Journal Sentinel (jsonline.com)
Foto: Arquivos do Journal Sentinel (jsonline.com)

Packers Nation, vocês realmente sabem o quão bom têm sido os últimos 23 anos? Veja o Green Bay Packers das décadas de 70 e 80, entre Lombardi e Holmgren, entre Starr e Favre, quando o Packers ganhou apenas um jogo de playoff e virou a chacota da NFL.

Sem querer ofender os torcedores do Packers, mas é fácil ser um cabeça de queijo atualmente. O time tem sido um dos mais consistentes e vencedores da NFL por quase um quarto de século.

Claro que houveram alguns solavancos no caminho – um T.J. Rubley aqui, um Colin Kaepernick acolá – mas, ultimamente, os torcedores do Packers não tiveram sua fé testada. A grande expectativa em Green Bay, faz a torcida resmungar com uma derrota aqui ou ali. Isso é muito diferente de sofrer, consecutivamente, por duas décadas.

Na verdade, torcedores com menos de 30 anos, basicamente só conhecem vitórias: 17 aparições em playoffs nos últimos 22 anos; 11 títulos de divisão desde 1995; 3 idas ao Super Bowl; 2 quarterbacks, ambos caminhando para o Hall da Fama.

Sim, os fãs do Packers têm vivido muito bem. Apesar de tudo, eles poderiam ter nascido em Oakland ou Cleveland. Ou pior, poderiam estar entalados com Jay Cutler.

“Eu penso que nós, como torcedores do Packers, somos mimados, disse Michael Hunt, que jogou como linebacker em Green Bay entre 1978 e 1980 e mora em Merrill.

“Eu não acho que a torcida entende o quão difícil é ganhar ano após ano, e ter uma chance de ir ao Super Bowl todo ano”, disse Gary Ellerson, que jogou como running back no Packers por dois anos durante a década de 80.

Eles têm razão. Talvez, muitos torcedores acreditam que o sucesso é garantido. Talvez, exista um senso crescente do direito da “cidade dos títulos”; uma pitada de presunção; uma corrente de complacência que de vez em quando tem ligeiramente aborrecido paixões.

Assim sendo, uma lembrança do passado está em progresso.

Após a glória

Isso não foi sempre assim.  Nem sempre houve jogadores fazendo contratos de publicidade milionários e Lambeau Leaps. Houve um tempo, em que o Packers era uma franquia saco de pancadas da NFL, um embaraço para a memória de Vince Lombardi.

Não foi bom com Devine e nenhum dos técnicos do Packers, entre Lombardi e Holmgren terminaram com um recorde positivo em Green Bay. Seguindo no sentido horário, a partir do canto superior esquerdo, estão na foto: Dan Devine, Bart Starr, Lindy Infante, Forrest Gregg e Phil Bengtson. (Foto: Arquivos do Journal Sentinel - jsonline.com)
‘It’s fine with Devine’, foi um slogan que significava que Devine faria o time ir bem, mas não foi isso que aconteceu. Green Bay não foi nada bem com Devine e nenhum dos técnicos do Packers, entre Lombardi e Holmgren, terminou com um recorde positivo de vitórias em Green Bay. Seguindo no sentido horário, a partir do canto superior esquerdo, estão na foto: Dan Devine, Bart Starr, Lindy Infante, Forrest Gregg e Phil Bengtson. (Foto: Arquivos do Journal Sentinel – jsonline.com)

[Best_Wordpress_Gallery id=”10″ gal_title=”Anos Sofridos – Entre Lombardi e Holmgren”]

Entre 1968 e 1991, o Packers teve apenas 4 temporadas vitoriosas. Ele se classificou para a pós-temporada duas vezes, ganhando exatamente um jogo de playoff. Teve mais de 30 quaterbacks, alguns deles não tinham ideia de como lançar uma bola para frente.

Houveram trocas terríveis e escolhas de draft esquecíveis. A franquia perdeu o caminho ao topo, à liderança no vestiário e o talento no campo.

“Havia uma caos na organização”, disse Dave Begel, sobre os três anos (1978-80) em que ele cobriu o time para o The Milwaukee Journal. “Era uma época de caos. Eles eram um time perdedor. Eles eram um time terrível”.

O Packers caiu tão fundo que Bob Harlan, que passou 37 anos dentro da organização e agora é presidente de honra, imaginava se algum dia achariam a saída do abismo.

“Eu costumava ir a Super Bowls nas décadas de 70 e 80 e quando via aqueles grandes capacetes infláveis no campo e eu costumava pensar, ‘Eu não tenho certeza se algum dia teremos isso novamente’”, disse Harlan. “Parecia que nós, simplesmente, não podíamos achar uma maneira de ser bem sucedidos”.

A descida começou quando Lombardi deixou o cargo de técnico após a temporada de 1967 e deixou um elenco envelhecido para Phil Bengtson, seu coordenador defensivo. Três anos depois, Bengtson renunciou com 20 vitórias, 21 derrotas e 1 empate e o Packers contratou o técnico da Universidade de Missouri, Dan Devine, para substituí-lo.

Devine levou o times para os playoffs em 1972 com uma campanha de 10-4, mas o Washington Redskins expôs as fraquezas do Packers enchendo a linha defensiva e segurando o running back John Brockington – que teve mais de 1000 jardas na temporada -, para apenas 9 jardas em 13 tentativas e vencer por 16 a 3.

Após Jerry Tagge, Jim del Gaizo e Scott Hunter combinarem para apenas 1480 jardas em 1973, Devine hipotecou o futuro da franquia, trocando cinco escolhas altas de draft pelo jogador de 34 anos, do Los Angeles Rams, John Hadl.

“Nós vendemos nosso futuro com a troca por Hadl”, disse Chester Marcol, kicker do Packers entre 1972 e 1980. “Coisas como essa machucam por um longo tempo”.

Devine não teve que se preocupar com isso. Ele rescindiu após a temporada de 1974 e aceitou o cargo de técnico em Notre Dame.

Starr ao Resgate? 

Em 1979, Bart Starr não tinha muito tempo como técnico e os torcedores já mostravam toda a sua frustração. Na faixa: “Lealdade tem limites”. (Foto: Arquivos do Journal Sentinel – jsonline.com)

O Green Bay Packers então fez uma contratação emocional, cegamente colocando sua fé em Bart Starr, o eficiente quarterback que ganhou cinco títulos da NFL sob o comando de Lombardi e foi o melhor em campo nos dois primeiros Super Bowls.

Starr era uma figura icônica, mas com apenas um ano de experiência como técnico e um elenco com poucos talentos, isso estava além da sua capacidade. Anos depois, ele admitiu que estava despreparado para ser técnico.

Mais cedo, isso aconteceu. Em 1977, o Packers fez uma campanha de 4-10 pela primeira vez sob o comando de Starr e anotou 134 pontos, uma média de apenas 9,6 pontos por jogo. Eles fizeram mais de 16 pontos em um jogo apenas uma vez naquele ano.

Adicionando uma lesão à equação, o promissor quarterback Lynn Dickey quebrou a perna gravemente quando sofreu um tackle, enquanto jogava um passe desnecessário na jogada final de uma derrota por 24 a 6 para o Rams, em Milwaukee, em 13 de novembro.

Dickey perdeu o resto da temporada e foi reserva durante todo o anos de 1978. Embora, Ellerson tenha chamado ele de “provavelmente o melhor passador longo da história do Green Bay Packers”, Dickey lutava contra as dúvidas.

“Os primeiros anos lá, eu queria muito vencer e eu sabia que tinha que ser perfeito”, ele disse. “Se não fosse perfeito, nós provavelmente não iríamos ganhar”.

“Eu costumava pensar, ‘Talvez você precisa de algo a mais para fazer isso. Eu não consigo fazer isso semana, após semana, após semana’. Ninguém podia. Eu procurava uma situação onde eu tivesse um jogo corrida e uma defesa”.

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Apenas uma década após os gloriosos anos 60, o Packers se tornou o saco de pancadas da NFL.

“Nós certamente não podemos fazer nada para ganhar respeito”, disse Marcol, “porque nós somos péssimos”.

Uma piada comum na liga era que os técnicos motivavam os jogadores a jogarem melhor dizendo que eles seriam trocados para Green Bay.

“Lá atrás, a perspectiva de jogar em Green Bay não era muito boa”, disse Dickey. “Técnicos ameaçavam mandar seus jogadores para Green Bay, como o pior possível, o fim da terra”.

Os torcedores também perdiam sua paciência.

“Eu ouvi muito deles por meio de cartas e telefonemas”, Harlan disse. “Eu diria que o principal motivo era que eles achavam que nós nunca jogaríamos novamente naquele nível, que talvez a liga estivesse grande demais para Green Bay”.

Com Dickey fora em 1978, o Packers iniciou com um 6-1, mas ganhou 2 e perdeu 5 dos últimos 8 jogos. Além de perder nos playoffs novamente.

“Parecia que nós crescemos na hora errada”, Hunt disse. “Nós crescemos no começo da temporada e simplesmente perdemos o caminho para nossos objetivos. É algo difícil de explicar”.

Após uma campanha de 5-11 em 1979, Starr draftou o defensive tackle Bruce Clark, de Penn State, na primeira rodada do draft de 1980, para preencher uma grande necessidade. Mas, Clark declinou com o Packers e assinou com o Toronto da CFL (Canadian Football League).

“Quem vai para o Canadá?” disse Dickey. “Ninguém vai para o Canadá, mas ele foi.”

A temporada de 1980 começou com Marcol agarrando seu próprio chute bloqueado e correndo para o touchdown na prorrogação, para vencer o Bears por 12 a 6. Treze semanas depois, em 7 de dezembro, dia de Pearl Harbor, o Bears ganhou a revanche por 61 a 7.

Apesar das derrotas, existiram momentos para celebrar. A temporada de 1980 começou com Chester Marcol pegando a bola em seu field goal bloqueado e correndo para o TD da vitória, na prorrogação, contra o Bears. Contudo, três meses depois, o Bears massacrou o Packers: 61-7.
Apesar das derrotas, existiram momentos para celebrar. A temporada de 1980 começou com Chester Marcol pegando a bola em seu field goal bloqueado e correndo para o TD da vitória, na prorrogação, contra o Bears. Contudo, três meses depois, o Bears massacrou o Packers: 61-7. (Foto: Arquivos do Journal Sentinel – jsonline.com)

O Packers somou 105 pontos sofridos e 13 anotados em seus três últimos jogos.

“Nós desmoronamos por completo e perdemos nossa confiança”, disse Hunt. “Em certo ponto, você tem que colocar alguma culpa na comissão técnica”.

Begel disse: “Bart realmente entrou em uma situação difícil, nenhuma dúvida sobre isso. Mas, ele não fez nada para melhorar. Ele fez as coisas piorarem. Ele nunca foi bom em tomar a responsabilidade pelo que aconteceu”.

Begel virou o principal inimigo entre a torcida do Packers. Eles não apreciavam a sua honestidade brutal nas reportagens?

“Eu não tinha nenhuma noção daquilo”, falou Begel. “Os fãs estavam chateados com o Packers, mas a última pessoa no mundo que eles queriam culpar era Bart Starr. Eles procuraram por alguém para direcionar a raiva e eu era um alvo conveniente. Algumas pessoas acham que Bart Starr engenhou aquilo. Ele me fez o inimigo para que as pessoas não focassem nele”.

A coisa estava tão ruim que o jornal contratou um segurança para vigiar a casa de Begel durante a noite.

“Estava fora de controle”, falou Begel, que afirma ter feito as pazes com Starr anos depois. “O lugar inteiro estava fora de controle”.

Starr finalmente levou o Packers aos playoffs, na temporada encurtada pela greve, em 1982. Após ganhar do Saint Louis Cardinals por 41 a 16, em Green Bay, eles foram para Dallas e perderam por 37 a 26.

Na única vitória do Packers nos playoffs, entre Lombardi e Holmgren, Green Bay venceu o St. Louis Cardinals por 41-16 causando a loucura total no Lambeau Field. O “Diehard Packer Fan” disse que estava de jejum, desde a última aparição do Packers nos playoffs em 1972. (Foto: Arquivos do Journal Sentinel – jsonline.com)

“Nós fomos melhores do que costumávamos ser”, disse Dickey. “Mas, nós meio que sabíamos que não tínhamos as peças necessárias para ser um time campeão”.

O Packers finalmente teve um ataque excitante, com Dickey lançando para o wide receiver James Lofton – futuro hall da fama -, John Jefferson e o tight end Paul Coffman. Os running backs Eddie Lee Ivery e Gerry Ellis eram jogadores sólidos.

Dickey lançou para 4458 jardas e 32 touchdowns em 1983, ambas as marcas foram recordes do time na época.

Infelizmente, a defesa não conseguia sair do campo.

“Eu tinha jogadores de qualidade para lançar, como Lofton, Jefferson e Coffman”, disse Dickey. “É, nós tínhamos alguns jogadores de qualidade. Mas, parecia que todo ano, nos treinamentos, nós tínhamos vários dos nossos defensores se machucando e isso nos colocava atrás, longe do sucesso”.

“Nós tínhamos que tentar marcar mais que o outro time. Mas, quando você faz 30 e eles fazem 35, isso não funciona”.

O Packers estava com um 8-7 em 1983 e teve a chance de chegar aos playoffs se ganhasse do Bears, na última semana da temporada regular. Green Bay liderava, 21 a 20, com o tempo diminuindo e Chicago com a bola marchando para a posição de field goal. Mais uma vez, a defesa não conseguiu parar.

Starr se recusou a usar seus tempos e, como resultado, após Bob Thomas chutar para 22 jardas e dar a vantagem ao Bears de 23 a 21, restavam apenas 10 segundos de jogo. Johnny Gray fez um fumble no kickoff e assim acabou.

O presidente do Packers, Robert J. Parins, demitiu Starr no dia seguinte.

Starr terminou com 52 vitórias, 76 derrotas e 3 empates. Porque ele não deu certo como técnico?

“Eu venho me perguntando isso antes e eu não acho que mudei a minha mente desde que joguei para ele”, disse Hunt. “Era fato que ele era muito gentil e não disciplinava em certas áreas. Ele deixava algumas coisas acontecerem demais e não reprimia seus jogadores. Ele era muito gentil”.

Continua…

Texto de Gary D’Amato

Journal Sentinel


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  • Motor Head

    Muito interessante essa matéria. Sempre é importante sabermos do nosso passado para entendermos quem somos no presente. Vou ficar no aguardo da continuação! Grato!!!

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