Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

10 de setembro de 2017: enfim o dia da estreia e para isso nada melhor do que jogar a primeira partida em casa, ao lado da torcida. O Green Bay Packers abre sua caminhada rumo ao 5º Vince Lombadi Trophy enfrentando um adversário que se tornou um dos seus principais rivais nos últimos anos: o Seattle Seahawks. Quando a bola oval voar no Lambeau Field, assistiremos a 21ª partida entre os times, em uma série que levamos a vantagem de ter vencido 12 das 20 partidas realizadas. Decompondo o histórico, observamos que 83,3% dessas conquistas vieram quando jogamos em casa, local em que não perdemos desde janeiro de 1999.

Seattle @ Green Bay será o principal jogo do segundo horário na televisão americana (para muitos deveria ser o Sunday Night) e guardará alguns encontros chaves entre suas estrelas: estamos falando do confronto entre o 8º melhor time no ataque (GB) e a 5ª melhor defesa (SEA), em 2016. Falamos do encontro entre Aaron Rodgers (maior marca de touchdowns, 4ª maior marca de jardas, 26ª maior marca de interceptações e 10º maior rating em 2016) e Russell Wilson (17ª marca de touchdowns, 10ª marca de jardas, 18ª maior marca de interceptações e 21º maior rating em 2016). Também não se pode esquecer do primeiro reencontro entre Eddie Lacy e Green Bay. Estes são apenas alguns dos matchups da partida. Abaixo, detalharemos 6 deles:

  • 1. Ataque GB x Defesa SEA

Um duelo para os fortes: GB enfrentará a famosa Legion of Boom, pontuada como a 3ª composição que menos cedeu pontos na última temporada (18,2/jogo), atrás apenas de Giants e Patriots. Além disso, registraram-se 653 tackles (1.103 combinados), 42 sacks, 16 fumbles forçados e 11 interceptações. Seattle terá como grandes pontos a dupla entre Earl Thomas e Kim Chancellor para compor uma perigosa secundária. Richard Shermann também é um homem de destaque e ao qual  Rodgers e nossos recebedores deverão se atentar. O pensamento do Seahawks é buscar usar força máxima e fazer o melhor para parar um dos mais letais ataques da Liga, como pontuou o coordenador defensivo de Seattle, Kris Richard.

E o ataque de Green Bay é sim algo que causa dores de cabeça nos oponentes (Viva!). Em 2016, os Packers foram a 8ª maior marca de ataque (368,8 jardas/jogo) e a 4ª maior marca de pontos (27pts/jogo). Para 2017, o ataque se encontra reforçado com Ty Montgomery realocado oficial e definitivamente para o jogo corrido, prometendo alta performance como trouxe em 2016, um jogo aéreo dividido entre Jordy Nelson, Randall Cobb e Martellus Bennett, sem contar os demais jogadores que ficarem na sideline, e um comando de ataque sob a mente brilhante de Aaron Rodgers.

Ty Montgomery: todos os olhos nele em 2017. FONTE: WORLD REPORT

Seattle sabe que terá trabalho árduo para parar Green Bay, apesar das qualidades na sua defesa: as diversas rotas de Jordy Nelson, “o jogador”, nas palavras de Kris Richard, e as infinitas possibilidades de jogadas com Ty, um jogador múltiplo, nas palavras de Pete Carroll, preocupam os visitantes.

Aaron Rodgers e Jordy Nelson: a dupla dos pesadelos de Seattle (e de qualquer time). FONTE: LOMBARDI AVE.

Mas, Green Bay igualmente precisará ser criativo e com segurança no momento em que executar jogadas: enfrentaremos o 3º time que menos cedeu touchdowns e fomos o 4º time que mais forçou turnovers ofensivos. Será fundamental explorar toda a competência do nosso front de ataque e ter o máximo cuidado com a bola.

  • 2. Ataque SEA x Defesa GB

O ataque de Seattle não apresentou o 2016 dos sonhos, sendo apenas a 18ª marca em pontuação por jogo (22,1). Por sua vez, a nossa defesa vem ainda em um longo processo em busca pela melhora, tendo leve oscilação negativa de desempenho quando comparado a 2015. As peças chave desse confronto passam pela necessidade de conter o jogo corrido dos visitantes, que é uma das marcas de Seattle. Green Bay no último ano foi a 11ª equipe que menos cedeu jardas por jogo (363,9) e a 12ª que mais cedeu pontos por jogo (24,2). Já Seatlle foi a 18ª maior produção de pontos (22,1) e a 12ª maior conquista de jardas por jogo (357,2).

Um outro ponto importante que deve ser observado: apesar do momento de baixa de seu ataque, Seattle vem apresentando piora quanto a proteção da bola, em 2015,o diferencial de turnovers foi +7, já em 2016 foi de +1. Será importante manter uma alta pressão sobre as corridas de Seattle, visando provocar turnovers e capitalizá-los, tal qual em 2016: foram 6 turnovers forçados por Green Bay, sendo decisivo para a vitória por 38-10, no Lambeau Field.

  • 3. Aaron Rodgers x Russell Wilson

Um dos mais completos quaterbacks enfrenta um dos grandes nomes da liga em seus atuais dias. Rodgers apresentou um 2016 sobrenatural, superando a boa campanha de 2015, aumentando a quantidade de touchdowns, diminuindo a quantidade de interceptações e sacks e tendo um rating melhor. Aaron chegou, em 2016, na marca de 40 touchdowns, 1,1% de interceptações e 35 sacks, além de um rating de 104,2.

Aaron Rodgers, dono de um 2016 brilhante. FONTE: UPI

O jogo de domingo se mostrará desafiador, assim como toda a temporada, mas o acréscimo de possibilidades de jogo com seu ataque mostram que se pode esperar uma boa performance. Para tanto, a Ofensive Line precisará trabalhar ainda melhor do que foi em 2016 para dar a segurança necessária para o camisa 12.

Offensive Line 2016. FONTE: GREEN BAY PACKERS

Já Russel Wilson, assim como Seattle na temporada, não apresentou o mesmo desempenho que teve em 2015, lançando apenas 21 touchdowns, sendo interceptado em 2% dos casos e tendo um rating de 92,6. Sabe-se do seu talento e que ele estará disposto para fazer uma temporada diferente e voltar a figurar no grupo de destaque da Liga. Será importante a pressão da nossa Defensive Line para detê-lo e da secundária para conter as tentativas de passe com Doug Baldwin, Tyler Lockett, Paul Richardson, Jimmy Graham e Luke Wilson.

  • 4. Russell Wilson x Defesa GB

O reencontro 1: Wilson reencontrará a maior parte da defesa que lhe foi algoz em 2016. No dia 11 de dezembro, no Lambeau Field, os Packers venceram por 38 a 10, em que 5 dos 6 turnovers sofridos pelos Sehawks foram causados por interceptações lançadas por Russell. O duelo promete novamente ser interessante muito pelo contexto de busca pela melhora de performance de ambos: Wilson pelo 2016 discreto, e a defesa de Green Bay por seguir oscilando negativamente em produção, sobretudo na piora na cessão de pontos, jardas e na quantidade de interceptações. Para a nova composição da defesa a ser oficialmente testada em 2017 a partir do confronto contra Seattle, muito espera-se da participação de Kelvin King na secundária e Davon House no corpo de Linebackers. Estes são alguns dos novos quadros que foram a aposta do time no recrutamento via Draft e mercado.

5 para 1: Recorde de interceptações para Wilson no último confronto em Green Bay. FONTE: SEATTLE TIMES

 

  • 5. Eddie Lacy x Packers

O reeencontro 2: Eddie Lacy retornará ao Lambeau Field pela primeira vez desde que saiu do time. A grande questão passa pela maneira como ele será recepcionado pelos torcedores e seus ex-companheiros (o jogador cogita fazer o Lambeau Leap caso pontue). Lacy não vinha apresentando um bom desempenho nos últimos 2 anos de contrato e travou batalhas com a balança. Por uma lesão no ano passado, foi substituído por Ty Montgomery, que trouxe vida ao jogo corrido. Em Seattle, Lacy ainda se apresenta como incógnita. Está mais magro, é verdade (teve incentivos financeiros para isso) e precisará provar sua capacidade de fazer grandes coisas para si, para o time e para liga, como caminho para recuperar sua confiança. Sabemos do potencial de Lacy, sendo um jogador forte e que se aproveita disso para ganhar muitas jardas, sobretudo após o primeiro contato.

Lacy deve ser um dos personagens principais do time, principalmente caso Thomas Rawls, não jogue ou participe pouco da partida. Pete Carroll sinalizou que ele está pronto e treinou fortemente para a partida. Mas se ele está pronto, a unidade defensiva dos Packers também está, com boas perspectivas para seus defensores, além de todo o conhecimento que todo o corpo técnico de Green Bay possui sobre Lacy, em especial Dom Capers, que promete formar jogadas que pararão o Running Back de Seattle.

Eddie Lacy e seu novo uniforme. FONTE: SEATTLE SEAHAWKS

 

  • 6. DL SEA X OL GB

Quando a bola sair das mãos do center para Aaron Rodgers, sabe-se que a luta a ser travada por essas duas composições será feroz. A OL dos Packers deve ir para o jogo com Bulaga em campo, apesar de estar listado como questionável. A presença desse jogador juntamente a Bakhtiari, Taylor, Linsley e Evans é uma boa notícia na manutenção de performance em alto rendimento para o ataque e em criar condições para que Aaron Rodgers possa trabalhar no pocket. Para conter esse ímpeto, Seattle buscará responder, nas palavras de Kris Richard, em mesma intensidade a pressão que receberá na linha de scrimmange e para tal, dois pilares serão utilizados nessa missão: o excelente Michael Bennett e Sheldon Richardson.

Ressaltados esses confrontos, resta acompanhar esta que será uma grande partida e torcer para que o time comece bem a temporada e sem sustos, como em 2016.