Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

5-5… Em nova atuação muito aquém do potencial, do esperado e do minimamente aceitável, os Packers sofreram no último domingo o 1º shutout em casa desde 2006. Quem assistiu a partida obviamente ficou chocado com a baixa produção do time em todas as perspectivas: o ataque teve uma tarde na descendente, começando empolgante no primeiro drive, mas em função da interceptação na end zone, o time, abalado, passou a avançar cada vez menos. Hundley, exposto, pouco pôde fazer, e também sofreu com os erros de suas escolhas. Já o time defensivo permitiu que os Ravens conseguissem estabelecer o jogo terrestre com Alex Collins e que Joe Flacco conseguisse evoluir no pocket. É verdade que o time ainda sentia ausências importantes, como de Ty Montgomery e Aaron Jones, mas ainda sim, o que se viu foi uma baixíssima performance.

Agora olhamos para um confronto dificílimo na semana 12 da NFL, que pode comprometer as baixas chances de pós-temporada do time. A campanha equilibrada deixou Green Bay na 9ª posição da NFC, 1 jogo atrás dos Falcons, e a situação pode piorar em caso de nova derrota, aumentando o déficit para 2 rodadas e unindo os Packers aos Cowboys, Redskins e, provavelmente, Cardinals e Buccaneers (caso vençam). Vencer os Steelers, no Sunday Night Football, além de desafiador será fundamental para Green Bay, mas para isso, também será necessário vencer as fragilidades defensivas contra o potente ataque que possui Le’Veon Bell e Antonio Brown. Não serão poucos os pontos a serem melhorados para aproximar Green Bay a um nível de competitividade com os Steelers, teoricamente.

Packers e Steelers se encontrarão pela 35ª vez em um duelo tradicional, com 84 anos de história. Green Bay tem a vantagem histórica de ter vencido 19 dos 34 jogos já realizados, 1 deles, o nosso último Super Bowl. Porém, quando analisamos o histórico em Pittsburgh, as coisas não são tão favoráveis assim. Há um equilíbrio no histórico de confrontos, 7-7, porém Green Bay não vence em Pittsburgh desde 06/12/1970!

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06 de dezembro de 1970: data da última vitória dos Packers em Pittsburgh. Naquela oportunidade, Green Bay venceu por 20 a 12. FONTE: PACKERS HISTORY NET

Para voltar a jogar o aceitável, vencer para se manter vivo na temporada e para quebrar um longo tabu, alguns pontos necessitarão ser considerados, vamos ver alguns deles:

1. O desafio de renascer o ataque aéreo de GB X Defesa PIT
Green Bay enfrentará a 3ª melhor defesa aérea da liga, com apenas 190 jardas cedidas por jogo e um QB Rating permitido de 74,2. Adicionalmente, Pittsburgh é a 2ª equipe que mais saca Quaterbacks (34), a 2ª menor cessão de touchdowns (9) e a 5ª que mais intercepta (12). Números mais que excelentes que preocuparão o time que possui um ataque que jogo após jogo se apresenta mais fragilizado. Hundley precisará ter melhor cuidado com a bola no momento dos passes e saber o momento e a força certas para realizar os lançamentos. Hundley ainda precisa melhorar seu release e precisão nos passes. Ele já encaixou ótimas conexões com Adams e Cobb, mas, ainda precisa manter uma boa produção por todo o jogo e não em alguns drives pontuais. Ryan Shazier e M. Hilton, líderes de interceptações dos Steelers, estarão bem próximos das rotas a serem desenvolvidas por Adams, Cobb e Nelson.

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Confiança, Release e escolhas nos passes: pontos a serem melhorados por Hundley para esse Sunday Night. FONTE: SPORTING NEWS

Um outro fator importante: mais uma vez a OL do time precisará funcionar para proteger Hundley. Em seus 3 jogos no comando dos Packers, Hundley já possui mais sacks do que Big Ben em toda a temporada 2017. Vince Williams, Sean Davis e Mike Mitchell estarão prontos para ensaiarem uma forte pressão sobre Hundley e seus alvos. Atenção extra será necessária com Cameron Heyward, líder em sacks dos Steelers.

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Proteção: ponto-chave para o ataque aéreo renascer frente a excelente defesa dos Steelers. FONTE: GETTY IMAGES

2. Secundária GB X Jogo Aéreo PIT
Um jogo de total risco para a defesa contra o passe dos Packers e isto por dois simples motivos: inconsistência entre e durante os jogos, além do potencial de letalidade do ataque dos Steelers. Green Bay possui a 15ª maior cessão de jardas aéreas (234,4 jardas/jogo), a 10ª maior permissão de QB Rating (95,5) e 12ª menor marca de sacks conquistados (21), sem contar o instável e preocupante Pass Rush . Já os Steelers, figuram no 8º maior ganho de jardas aéreas/jogo (255,1) e com a 4ª menor quantidade de sacks permitidos ao seu Quaterback (14). Um resumo desses números mostra a tendência de permitir mais jogadas e ganho de jardas, pela defesa de Green Bay, o que pode ser perigoso frente a um dos melhores ataques da liga e que consegue manter Big Ben em boas condições, no geral, para evoluir nas tentativas de passe. Os matchups de Davon House, Damarious Randall e Ha Ha Clinton Dix com Antonio Brown e Jesse James tendem a favorecer os donos da casa, pela dificuldade de cobrir os movimentos dos dois jogadores. A ausência da sensação JuJu Smith-Schuster favorece os Packers, sobretudo quando substituído por Martavius Bryant, que vem em péssima fase, mas isso não significa menosprezo para os marcadores. Na linha de scrimmage e nas jogadas de Pass Rush, será importante que Blake Martinez siga na sua evolução individual e um dos grandes nomes da defesa, junto com Nick Perry, o líder de sacks do time. É uma partida que também se espera muito de Clay Mathews, principalmente, pela sua qualidade e a possibilidade de furar a excelente OL formada por Alejandro Villanueva, Ramon Foster, Maurkice Pouncey, Chris Hubbard e David Decastro.

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Uma secundária atenta e produtiva: mais que uma necessidade, uma obsessão aos Cheeseheads. FONTE: SPORTSPYDER

3. O jogo terrestre GB x Defesa terrestre PIT
Green Bay e Pittsburgh apresentam desempenhos similares na produção de jardas terrestres: ambos empatam como a 19ª maior marca de ganhos de jardas por jogo (102,4), embora os Packers tenham conseguido aproveitar melhor esse estilo de jogo para conquistar mais touchdowns, 1st downs e ganhos maiores nos drives. Os Packers nessa nova escolha de privilegiar o jogo corrido sentem as dificuldades de perder seus 2 principais Running Backs e centrar em Jamaal Williams as ações. Sem dúvida que ele seguirá sendo usado, pelas limitações de passe de Hundley e pela sua confiança novamente abalada, agora por conta de uma partida ruim no último domingo, mas as chances de sucesso continuarão reduzidas, pela ótima proteção contra corridas que possui os Steelers. Mike Tomlin foi coordenador defensivo e hoje como Head Coach sabe mais do que ninguém quais os ajustes são necessários fazer para estrangular a única forma de avanço nos Packers sem Aaron Rodgers. Hoje, Pittsburgh possui a 7ª menor marca de cessão de jardas terrestres por jogo (97,6) e a 16ª maior cessão de touchdowns terrestres e contará com os ótimos trabalhos de Cameron Heyward, Javon Hargrave, Stephon Tuitt e Bud Dupree para o fechamento das janelas que permitam as corridas de Williams e Ripkowski, além das ações da excelente linha de Line Backers. Igualmente os scrambles de Hundley e suas tentiativas de corridas serão igualmente dificultadas.

4. O jogo terrestre PIT X Defesa terrestre GB
Apesar dos números e da comparação sobre os ataques terrestres feita no item anterior, estamos falando basicamente do encontro de Le’Veon Bell com a 11ª menor cessão de jardas da liga, mas ao mesmo tempo a 6ª maior cessão de touchdowns terrestres. Conter as ações pelo chão de Pittsburgh será uma árdua tarefa, sobretudo nas últimas 30 jardas do campo. Blake Martinez e Nick Perry necessitarão atuar fortemente na prevenção das corridas, fechando os espaços e facilitando o trabalho do segundo nível da defesa. De todos os matchups possíveis, este é o que pode se apresentar menos pior aos Packers, pelo razoável trabalho da defesa terrestre, mas enfrentar o 3º melhor corredor da liga, será um grande teste.

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Reforço da proteção terrestre: os erros do último domingo não poderão se repetir frente a Le’Veon Bell. FONTE: BALTIMORE BEATDOWN

Influenciando os matchups da partida, os Packers ainda possuem a constante chamada Injury Report. São esperadas as voltas de Morgan Burnett e Kevin King para ajudar a reforçar o setor mais sensível do time, sobretudo para o jogo dessa noite, a secundária. Da mesma forma, apesar de listados, espera-se que Core Linsley e Clay Matthews também atuem. Ty Montgomery apareceu listado como duvidoso e apenas participou de parte do treinamento de sexta e certamente desfalcará o time por mais uma semana, por conta de lesão na costela.

Considerando o grau de dificuldade da partida e o que o Packers vem apresentando em campo, não há outra coisa a se esperar a não ser um domínio, em teoria, dos Steelers. As poucas chances dos Packers passam passam por uma partida muito abaixo da média pelos donos da casa, que de vez em quando acontece. Igualmente, as chances de um improvável triunfo passam por uma partida magistral da defesa em ceder poucos pontos e forçar turnovers para que o ataque capitalize. Criatividade para parar os Steelers será a chave. McCarthy and Capers, what will you do?