Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

7-7…Pela primeira vez em 8 anos os Packers não irão aos playoffs e mesmo uma semana depois do fato consumado ainda é difícil acreditar que essa é a realidade do time de Green Bay. Uma temporada que não deve ser esquecida e deve servir de lição para que algumas alterações, muitas delas estruturais, aconteçam no time visando a temporada 2018/2019. Com esse sentimento agridoce, os Packers realizam seu último jogo em casa na temporada e possuem pela frente nada mais, nada menos, que o seu rival campeão de divisão Minnesota Vikings,

A partida marca o reencontro das duas equipes depois do jogo que colocou praticamente o ponto final na campanha dos Packers, com o late hit criminoso de Anthony Barr sobre Aaron Rodgers, vitimando sua clavícula direita. Pensando-se nisso, o clima no Lambeau Field obviamente não deverá ser o dos mais agradáveis para os visitantes. Nesta partida que não valerá mais nada para Green Bay, já é sabido que algumas mudanças ocorrerão, sendo a principal delas a volta de Aaron Rodgers para a Injury Reserve, dando espaço para Brett Hundley e, talvez, o mais uma vez reintegrado Joe Callahan, no comando do time. A tendência é que alguns testes possam ser feitos com jogadores que não tiveram tantas oportunidades ao longo da temporada, já antecipando os preparativos para a próxima temporada.

Os Vikings, por sua vez, encararão o jogo como uma decisão, em busca da seed 1 e a vantagem de definir todos os jogos dos Playoffs da NFC em casa. Para isso, precisarão vencer os dois jogos e torcer para duas derrotas dos Eagles. Case Keenum vem sendo um dos mais improváveis destaques da temporada e ao lado da forte defesa e do bom jogo aéreo com Adam Thielen e Kyle Rudolph, promete complicar ainda mais as coisas para os Packers. Vamos conferir os principais pontos para a 115ª partida entre Packers e Vikings:

1. Brett Hundley x Secundária Vikings x Retrospecto em casa

Uma vez acabados os sonhos de Playoffs, Hundley ganha nova chance como titular por Green Bay e neste jogo enfrentará uma marca, de certo ponto, incômoda: possui um desempenho dentro de casa pior do que fora de casa. Analisando-se os 8 jogos que Hundley realizou na temporada, 4 em casa e 4 fora, percebe-se o aproveitamento do jovem Quaterback ser maior na casa do adversário. Hundley completou 88 de 130 passes (67,7%) para 879 jardas, 8 touchdowns e 3 interceptações, tendo um QB Rating de 97,6 e uma campanha equilibrada: 2-2. Dentro de casa, Hundley completou 73 de 122 passes (59,8%) para 655 jardas, 0 touchdowns e 5 interceptações, totalizando um QB Rating de 57,2 e uma campanha negativa: 1-3. Mas a vitória em si foi especial, no Overtime contra os Buccaneers. Dentro da conta, também aparece o vexaminoso shutout que o time sofreu contra os Ravens.

É verdade que em muito, os números acima refletem a estratégia de jogo montada por Mike McCarthy, principalmente por se colocar a um jogador tão jovem e com experiência apenas de pré-temporada a responsabilidade de comandar o ataque de uma franquia gigantesca como o Green Bay Packers, sobretudo com um risco enorme de desclassificação. Durante a semana, McCarthy sinalizou que acredita na familiaridade que Hundley já possui com os Vikings e isto facilitará as coisas na montagem do plano de jogo para melhor prepará-lo, mas há de se lembrar, talvez McCarthy tenha esquecido disso, que falamos apenas de cerca de 3/4 de jogo.

Hundley evoluiu nos 8 jogos que fez e isso é nítido, mas ainda faltam alguns pontos a serem melhorados. Brett sabe disso e ressalta que segue buscando dar o seu melhor e melhorá-lo:

“Eu tento jogar o meu melhor toda a semana. Eu posso me importar menos se jogo em casa ou fora… I venho tentando colocar esse time na melhor posição para vencer e trago comigo a melhor performance que eu posso dar toda semana”

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Brett Hundley no primeiro jogo contra os Vikings nesta temporada. FONTE: CHEESEHEAD TV

 

2. Brett Hundley x Pass Rush: como a OL vai produzir?

Além da defesa o que se mostrou uma grande problema durante a temporada foi a Linha Ofensiva. Da falta de cobertura dela tivemos a origem do fatídico late hit de Anthony Barr em Aaron Rodgers. Antes disso, Rodgers vinha sendo um dos Quaterbacks menos protegidos da liga. Depois, Hundley foi sacado tantas vezes que chegava a superar Quaterback que tinham jogado a temporada inteira!

Hoje o Packers terá Anthony Barr pela frente, de novo e como a OL vai reagir para blindar minimamente Hundley da pressão adversária? Esta é a pergunta da partida, a qual David Bahktiari respondeu durante a semana: Vamos jogar football! E isso de fato vai ser necessário, aliás vem sendo, a OL dos Packers é a 3ª que mais permitiu sacks (46) e a 8ª que mais expôs o Quaterback a situações de contato com o jogador adversário (90). Além de Barr, a composição comandada por Bahktiari precisa de atenção contra Erick Kendricks e Everson Griffen, que vem se destacando na temporada e doutrinaram na partida do US Bank Stadium,

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Linha Ofensiva, um problema em 2017. FONTE: GREEN BAY PACKERS

Por sua vez, Hundley não se mostra preocupado com a pressão que receberá, mas sabe que o seu padrão de jogo deve sofrer consideravelmente, por ter predileção ao jogo corrido e pela quantidade de scrambles que tende a realizar. Olhando para o histórico, há de se esperar dificuldades aos Packers nessa dimensão de jogo.

3. Defesa Green Bay x Defesa Green Bay

“Precisamos jogar melhor na defesa”

É de se perder a conta de quantas vezes McCarthy falou essa frase e derivou ela para a defesa, ataque… Pois bem, é a verdade que sempre é dita e nunca realizada. A defesa sob o comando do ultrapassado Dom Capers vem apresentando ano após ano queda de rendimento e comprometimento das campanhas de Green Bay. Esse ano, a defesa superou tudo aquilo que entendíamos ser inconsistência para uma temporada em que não se encontram palavras para descrever. É verdade que tivemos a grata evolução de Blake Martinez, boas performances individuais de Mike Daniels e Clay Matthews, mas isso tudo é pouco para o tamanho da qualidade defensiva que se espera para um time que possui no ataque um gênio chamado Aaron Rodgers.

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A defesa problemática de Green Bay. FONTE: LAST WORD ON PRO FOOTBALL

Para o jogo de hoje, encontraremos duas defesas em lados opostos: enquanto os Vikings se apresentam dentro do top-10 das melhores defesas em cessão de touchdowns, QB Rating, jardas aéreas e terrestres, os Packers se apresentam no top-10 das piores defesas em todos esses quesitos.

“No fim do dia nós jugamos nossa performance e falamos sobre nossos erros, eu faço um grande acordo com os jogadores e técnicos às quartas sobre como devemos jogar… Quando você tem breakdowns, você tem touchdowns fáceis. É inaceitável!”

O período acima foi dito pelo próprio McCarthy. Nada disso que ele diz fazer está funcionando e igualmente é inaceitável não apenas o padrão de jogo defensivo, mas ser McCarthy o principal defensor de Dom Capers em Green Bay, sobretudo na última offseason, quando bancou Capers, dizendo que acreditava nas pessoas e que ele merecia uma segunda chance.

Case Keenum enfrentará uma defesa da qual não se pode saber o que esperar, se uma partida forte e consistente ou mais uma partida com falhas capitais de chamadas e posicionamento. O que se tem de certo são os pontos de atenção que a defesa deverá ter em mente: Latavius Murray, Jeremy McKinnon e Dalvin Cook, pelo jogo terrestre, e Adam Thielen e Kyle Rudolph, pelo jogo aéreo.

O ritual de despedidas começou hoje, com a última partida no Lambeau Field, o que resta é aproveitar os 120 minutos que restam e torcer para que 2018 seja diferente para uma das mais tradicionais franquias da Liga, prestes a completar 100 anos de existência. Aproveitando o clima natalino, pode ser válido pedir isso ao Papai Noel.