Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

2-1!!! Foi com muito mais emoção que o esperado que Green Bay conquistou a 2ª vitória na temporada em uma partida atípica e com pouca produção dos mandantes no 1º tempo, mas com um crescimento no momento mais importante do jogo, a partir de grandes jogadas executadas por Nelson, Allisson e Ty. Martellus Bennett também foi importante nos bloqueios e na abertura de espaços para as ações ofensivas.

Porém, a partida mostrou que alguns pontos de atenção se mantém vivos e necessitando de ações pelos Packers. A defesa novamente não apresentou um jogo consistente nos 60 minutos, se destacando apenas na metade final do 2º tempo, quando teve um papel fundamental na virada, submetendo Dalton a pressão e impedindo que as primeiras descidas fossem anotadas. Já as lesões, uma vez mais voltaram a pesar, sobretudo na OL que cedeu 6 sacks sobre Aaron Rodgers e exigiu dele uma capacidade sobrenatural de ser ainda mais ágil e preciso nas jogadas.

A partida deste Thursday Night Football curiosamente apresenta uma situação similar a do último confronto, ano passado, em que os dois times combinaram para 14 lesões, 7 para cada time. Já para esta quinta, o tema segue em pauta. Aos Packers espera-se um menor impacto quando comparado ao último domingo, com o retorno de Randall Cobb, por exemplo. A OL ainda possui dúvidas quanto as voltas de Bulaga e Bahktiari e a DL tem mesma situação sobre Mike Daniels, algo que só conheceremos o desfecho momentos antes do jogo. Caso algum destes 3 nomes não jogue, Green Bay novamente terá um grande desafio de armar e executar um padrão de jogo que não o exponha a riscos, principalmente na linha de scrimmage.

Por sua vez, os Bears também terão lesões a serem contabilizadas, sendo as mais sensíveis e que a do seu center, Hroniss Grasu, e a de Josh Sitton, que constam como questionáveis. Jordan Howard, que teve participação questionada na partida, foi confirmado.

Este será o 195º jogo da história do duelo que se encontra empatado em 94 vitórias para cada time. A rivalidade mais antiga da liga se arrasta por quase 96 anos e o vencedor passará a frente na supremacia histórica. Os Packers não perdem desde 2015, data do último revés, coincidentemente, no Lambeau Field.

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Hora de assumir a liderança histórica! Packers busca a 95ª vitória no confronto contra o principal rival. FONTE: CHICAGONOW

A partida promete ressaltar confrontos interessantes entre uma defesa de média qualidade contra um ataque potente, sobretudo pelo ar. Também poderemos ver a defesa dos mandantes em mais um grande teste para o jogo corrido, com as investidas de Jordan Howard. Ainda sim, os Packers possuem elementos para conquistarem sua 3ª vitória, mas, considerando-se o histórico de jogos, será fundamental ter estrutura e consistência suficientes para impor a superioridade teórica. O Lambeau Field será um dos grandes aliados nisso, com a torcida empurrando e a mística de garantir aos Packers 46 vitórias de 92 jogos já realizados lá. Ingredientes não faltarão para fazer desse um grande jogo. Abaixo, detalharemos alguns daqueles que vão chamar a sua atenção:

 

1. Ataque terrestre GB x Defesa CHI

Green Bay ao contrário do que se esperava vem apresentando uma discreta participação do jogo corrido em seu ataque. Ainda sim que apareça em momentos importantes das partidas, como nas conquistas de 3ª descida, a unidade de corredores do time produziu apenas 69 jardas/jogo, o suficiente para ser qualificada junto com os Steelers a 3ª pior marca da liga no quesito. Seja pela predileção ao passe (até o momento, das 194 jogadas, apenas 30,93%, 60, foram pelo chão) ou pelas dificuldades que o corpo de corredores possa estar apresentando, a baixa produção é um grande ponto de atenção no ataque, algo que pode ser potencializado quando lembrarmos que os Bears possuem boa proteção terrestre, o suficiente para ser classificada como a 8ª melhor defesa contra o jogo corrido, com 83,7 jardas cedidas/jogo. Vale destacar que na última semana, contra os Steelers, Chicago conseguiu anular Le’Veon Bell e cedeu apenas 70 jardas. Já Green Bay, contra Cincinatti, conquistou apenas 64.

Impulsionar e vencer a batalha das trincheiras será um dos grandes desafios no jogo, em que o talento de Montgomery, Williams e Ripkowski terá que prevalecer sobre as ações de Trevathan, Floyd, Unrein, Goldman e Hicks. Agilidade e foco, sobretudo em rotas para as laterais devem ser as tônicas. Também será necessário que a dinâmica terrestre conte com os bloqueios a serem realizados por todo o time, mas principalmente pela OL na origem das jogadas.

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Ty Montgomery e árdua tarefa de vencer uma das melhores defesas terrestres até o momento. Run, Ty, run! FONTE: YAHOO SPORTS

 

2. Jordan Howard e Tarik Glenn: os motores de Chicago x Defesa Terrestre GB

Chicago não apresenta o ataque mais potente da liga, mas quando falamos do jogo terrestre, os Bears apresentam boas armas e que preocupam os adversários. Para a partida, a defesa de Green Bay terá matchups interessantes contra Jordan Howard e Tarik Glenn, que combinaram 354 jardas em 3 jogos e uma média de jardas/tentativa de 5,85. Ótimos números e que prometem problemas para aquela que é, até o momento, a 12ª pior marca de cessão de jardas/jogo, sendo 113,7, simbolizando perdas de 4,5 jardas/tentativa. Os pupilos de Dom Capers precisarão de estratégias especiais para conter o principal motor de ataque dos Bears e nas palavras do coordenador defensivo, apesar do contexto e dos números ruins, Green Bay fará um bom trabalho nessa unidade:

“Vocês (da imprensa) falaram para mim ao final da temporada que não poderíamos parar o passe, certo? Agora, nós estamos no top-10 das defesas aéreas (GB é o 7º). Nossa premissa é que temos que vencer o jogo e manter os adversários longe da end zone. Então temos que avaliar isso a cada semana. Temos várias combinações e pensamos que isso nos dá certa flexibilidade para os matchups. E se os adversários começarem a correr muito, nós teremos como agir. Não penso que não temos capacidade de parar o jogo corrido com esta defesa.”

Do ponto de vista de lesões, a defesa deve ir com força máxima, exceto por Daniels (questionável) e House. Para conter a dupla de jogadores líderes em corrida pelo time, será necessário forte trabalho de Ryan e Martinez, por exemplo e entrega de todo o front 7, pressionando as jogadas e formando ótimos bloqueios desde a origem das jogadas.

Para ambos, ainda há o agravante de similarmente também serem utilizados como recebedores, apresentando, inclusive, boa produção e liderança nas estatísticas do time. Para Howard, sobretudo, a secundária necessitará atenção redobrada nas rotas e opções que podem se desenhar na tentativa de ganho de jardas aéreas. Aproveitando-se da boa atuação no domingo, pode ser um jogo interessante para Josh Jones, por exemplo, reforçar seu bom momento e suas habilidades (o jogador teve contra Cincinatti 11 tackles solo e 2 sacks)

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O nosso pior inimigo: Jordan Howard. FONTE: SB NATION

 

3. Aaron Rodgers X Defesa aérea CHI

Os pesadelos dos Bears possuem nome e sobrenome: Aaron Rodgers. Em 19 duelos desde 2008,  o Quarterback de Green Bay venceu 15 jogos. Para esta quinta, mais uma vez, as grandes armas dos Packers estarão centradas nas ações pelo ar, com o retorno da dupla titular de recebedores e com os auxílios via Davante Adams, Martellus Bennett e Richard Rodgers. Para este matchup, Green Bay apresenta significativa vantagem, uma vez que apresenta o 2º melhor ataque da liga (291,3 jardas/jogo) e enfrentará a 13ª pior defesa da liga (238 jardas/jogo).

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Aaron Rodgers em busca da 16ª vitória sobre os Bears. FONTE: RANT SPORTS

Vale lembrar que o desempenho de Rodgers pode ser ainda melhor caso tenha boas condições de trabalho a partir de sua OL. Nos 3 primeiros jogos, colecionou 13 sacks, marca que no ano passado só foi obtida no 7º jogo (week 7). A condição dos Tackles que formarão a unidade será importantíssima.

Por outro lado, Rodgers já sabe que poderá contar com um novo alvo de confiança para situações de 3ª descida: Geronimo Alisson vem mostrando nesta temporada recepções longas e importantes para o time. A expectativa é de que essa parceira vá se estreitando cada vez mais com o passar dos jogos.

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GERONIMOOOOOOOO!!! O homem das grandes recepções no início de temporada 2017. FONTE: LOMBARDI AVE.

 

4. Mike Glennon x Defesa aérea GB

Comandante do atual 6º pior ataque da liga, Mike Glenon terá a difícil missão de complicar ao máximo a vida de Green Bay, porém pesa contra ele a questão de não ter um corpo altamente produtivo de recebedores e de faltar em precisão nos lançamentos em algumas oportunidades, apresentando em 2017 3 touchdowns e 3 interceptações, e não ser o jogador de grandes passes, tendo uma média de lançamentos acima de 20 jardas muito inferior à média da liga, segundo a ESPN norte-americana. Mas, acima das dificuldades, Glennon vem mostrando superação em achar alternativas quando necessário e, nas palavras do coordenador ofensivo dos Bears Dowell Loggains, vem fazendo o suficiente para vencer jogos, tendo a vitória contra os Steelers como principal referencial.

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Pressionar Mike Glennon é um dos caminhos para pavimentar a vitória no Thursday Night Football. FONTE: NY DAILY NEWS

Para o jogo, a grande chave dos Packers passa por criar o máximo de pressão possível para Glenn e forte marcação em seus alvos, que desde as saídas de Jeffrey e Meredith não vem produzindo. Quando pensarmos no papel da secundária, principalmente, será fundamental que as lições aprendidas no último domingo sejam postas em prática, evitando que um ataque teoricamente pouco letal se transforme em uma bomba relógio. O quarteto mágico a ser formado por Rollins, Burnett ou Jones, Clinton Dix e King ou Randall precisará funcionar e bem.

Será uma noite especial em Green Bay, não apenas por ser dia de clássico, mas pela importância que ela terá para a luta pela divisão e os impactos que poderá apresentar na sequência das temporadas dos times. Para os Packers, será a oportunidade de impor a melhor qualidade de time, principalmente com alguns retornos importantes, retomar um padrão constante de jogo e seguir firme na caminhada da temporada regular. Mesmo que o inverno ainda não tenha chegado, a missão da noite será fazer os ursos hibernarem por 60 minutos.