Rookie do Cheeseheads Brasil, torcedor do Maior time da NFL desde os 11 anos. Fanático pela história desse tal time de Wisconsin que amamos. E Torcedor do Legítimo Campeão da Copa do Brasil de 94.

O texto que você vai ler agora foi escrito pelo nosso running back Ty Montgomery para o excelente site The Players Tribune(caso você tenha um bom nível de inglês, recomendo a leitura de outros textos do site, em especial para os cabeças de queijo tem um recente escrito pelo nosso ex-linebacker A.J. Hawk), no qual os jogadores contam suas histórias.

Aqui segue o excelente relato de Montgomery sobre o que faz Green Bay ser tão especial.

 

“Aaron Rogers consegue fazer uma bola cantar.

É sério… Eu ouvi isso.

A primeira vez que isso aconteceu foi durante um minicamp no meu ano de calouro. Eu tinha acabado de sair da faculdade e Aaron já era Aaron: campeão do Super Bowl, MVP, e todas essas coisas. Eu corri um slant, e quando eu terminei minha rota e plantei meus pés, foi aí que eu ouvi. Foi tipo… whoosh. Um assobio, como um daquelas balas de Nerf. Eu levantei minhas mãos o mais rápido que pude, a assim que eu fiz isso, a bola veio diretamente em mim, exatamente na hora, exatamente no alvo. Sua precisão definitivamente casa com sua potência. Foi diferente de qualquer bola que eu alguma dia havia recebido.

Eu vi Aaron fazer isso com outros caras também. Ele sempre garante de mandar uma bola para você nos primeiros passes, e ele garante de fazer isso quando está lançando um passe curto, assim ele consegue realmente colocar algo extra nela.Eu acho que é simplesmente o jeito dele de dar as boas vindas e deixar claro o que ele espera de você, tipo, ele vai jogar ela, e você deve estar pronto todas as vezes. É uma das pequenas coisas que ele faz para ditar o tom.

E cada vez naquela época e até hoje, que ele lhe lança uma e você não agarra, ele vai ficar parado e olhando para você, como se você não conseguisse aguentar a pressão. Então, eu acho que ele também tem um pouco de diversão.

Estando do outro lado desses passes é definitivamente uma experiência. Apesar de eu já ter completado minha transição para running back.

Na verdade, transição não é a palavra certa. Quando eu penso em transição, eu penso em mover de uma coisa para outra, no meu caso, isso seria colocar um wide receiver atrás de mim, Mas eu não fiz isso. Eu não preciso ficar numa caixa de running bax, confinado no espaço entre tackles. Eu ainda posso jogar de wide receiver saindo da posição de running back, e eu ainda consigo ser uma adição para um passador como Aaron.

Então eu vejo isso mais como uma evolução. Uma verdadeira utilização de toda a minha habilidade.

Ty Montgomery vs. Dallas. (Foto: Ric Tapia/Associated Press)

Se você tivesse me contando quando eu fui draftado na terceira rodada de 2015 que eu seria o running back titular do Packers dois anos depois, eu iria dizer que você estava louco.

Mas depois eu diria: “Ei, eu aceito isso.”

Então, e se eu não estiver jogando na posição para a qual eu fui draftado? Eu estou apenas contribuir para o time e adicionar valor de qualquer forma possível. Eu sabia que ser o running back titular não era exatamente para o que eu fui movido inicialmente para a posição de running back. Na verdade, foi como um cenário de apocalipse. Eu virei running back, e então Eddie Lacy se machuchou. E então Don Jackson. E James Starks. E…

Apocalipse.

Vá lá, 88.

Isso era muito distante de onde eu estava no training camp ano passado. Antes da temporada começar, quanto eu não tinha certeza se eu sequer faria parte do time. É sério. Eu me lembro de chegar em casa após o treino e ver minha esposa tirando coisas das caixas, e eu sarcasticamente disse: “Não tire muito ainda, por que eu não tenho certeza de quanto tempo ficaremos aqui.”

Eu estava voltando de uma cirurgia de tornozelo. Eu perdi toda a off-season. Eu não treinei durante toda a primeira semana de treinos. E nós tinhamos recebedores muito talentosos. Era competitivo. Eu quero dizer, mesmo que você fosse a campo todo dia e desse seu máximo lá com confiança. Ainda assim, ao final do dia, parecia que eu ainda estava muito atrás. Eu simplesmente não sabia o que iria acontecer.

Eu não vi muita ação na pré-temporada, ou nos primeiros jogos da temporada regular. E conforme as semanas passavam, eu via crescer essa incerteza sobre meu futuro em Green Bay.

Então um dia, eu passei por Mike McCarthy no corredor. Ele me parou, disse olá, e então ele mencionou que tinha uma ideia.

Os técnicos estavam falando, e disseram que estavam pensando em me usar de uma maneira diferente. Estavam falando de tentar me usar como running back, se eu estivesse disposto a isso.

Eu estava tipo: “Ei, se vocês estão pensando nisso, então vamos fazer. Vamos tentar e ver como isso se desenrola.”

Eu manti minha melhor cara de profissional enquanto apertávamos as mãos e tomávamos caminhos diferentes.

Mas, enquanto eu andava pelo corredor, eu estava numa nuvem. Eu senti uma luz sobre mim. Eu sabia que seria uma grande oportunidade.

E então, no treino do dia seguinte, o técnico me chamou para alinhar no backfield.

Eu conseguia sentir alguns dos caras olhando e meio que rindo, tipo, “O que o Ty está fazendo? Ele vai ser deslocado para lá.” Provavelmente pensavam que seriam alguma trick play ou algo do tipo. Então, quando a bola veio, eu peguei o handoff e corri um jogada de outside zone. Eu fui atingido forte também. O ataque se reagrupou e eu alinhei no backfield novamente. E novamente, eu peguei o handoff, dessa vez em uma jogada por dentro.

Você deveria ter visto a cara dos meus companheiros. Eles estavam todos olhando uns para os outros tipo, “Espere… O que? Isso é verdade?”

Após cinco ou seis corridas, eu acho que os caras se tocaram, “Uau, isso é sério, e o Ty não é assim tão ruim.”

Foto: Jonathan Daniel/Getty Images

Muitas pessoas não sabiam, mas eu cresci correndo com a bola. Eu admirava caras como Eddie George, Emmitt Smith e Walter Payon. Ser um running back na NFL sempre foi meu sonho. Isso mudou no Ensino Médio quando eu mudei para wide receiver. Eu ainda joguei um pouco como running back em Stanford e eu adorei.

Então quando eu comecei a receber handoffs de Aaron, meus instintos estavam ali. Fazendo os cortes, vendo os espaços, aumentando a velocidade, caindo para frente após os contatos, tudo isso voltou naturalmente.

A verdadeira diferença veio de aprender o playbook, especialmente a proteção de passe. Era como tentar aprender uma língua estrangeira. Algo completamente novo para mim.

Eu acho que coloquei muita pressão em cima de mim porque como um running back, quando você fica para bloquear, você é a última linha de defesa do quarterback. Então, lá dentro, eu simplesmente não queria ser o cara que errou e deixou Aaron ser derrubado lá atrás.

Isso foi quando os outros running backs, e Aaron, entraram.

Se tem algo que eu aprendi sobre esse jogo, é que você não consegue fazer tudo sozinho.

Futebol americano é o esporte coletivo definitivo. Comunicação é a chave, e nós temos que ajudar um ao outro para garantir que estamos todos na mesma página. E nosso time meio que incorpora isso.

Quando eu entrei na sala dos running backs pela primeira vez, eu imagina como eu seria recebido. Quero dizer, já são tão poucos snaps em um jogo, e eu entrando ali significava que algum deles iria perder tempo de jogo. Eu teria entendido se eles tivessem ficado na defensiva ou focado neles mesmos, apenas no próprio interesse.

Mas não nossos caras.

Eles me receberam bem.

Quando nós assistíamos vídeos ou olhávamos o plano de jogo para aquela semana. Eu nunca me sentia burro por não saber uma jogada em particular ou perguntar algo. Eu nunca tive medo de falar sobre por que eu sabia que todos naquela sala já haviam me deixado sabendo desde o início, que a sala dos running backs não é cheia de egoístas. Eles não falaram isso, mas deu para sentir. Eles me ajudaram e me deram avisos construtivos.

Eu sinceramente não acho que conseguiria fazer a troca da forma como foi se não fosse por esses me ajudando durante a temporada. Eddie Lacy, James Starks, Don Jackson, Aaron Ripkowski, técnico Sirmans.

Foto: Ryan Kang/Associated Press

Aaron do mesmo jeito. E essa é provavelmente a melhor parte de estar no backfield: eu estava ali com ele no meio de tudo, não isolado numa ilha como recebedor. Então se eu tinha uma questão, ou se eu não soubesse o que fazer em uma jogada em particular, eu simplesmente dava uma tapinha nele e ele me dizia o que fazer e eu tentava executar com o melhor da minha habilidade. Simples assim.

Mas eu ganhei muito mais que uma direção com Aaron.

Eu também ganhei confiança.

Aaron é tão cerebral, e ele vê o jogo de uma maneira que eu acredito que só ele consegue. Ele é um perfeccionista, e ele exige que os que estão ao seu redor também busquem a perfeição. Esse é o motivo pelo qual, ás vezes, ele escolhe você para receber um de seus foguetes.

Apenas para manter você ligado.

E quando você está com a mesma mentalidade do Aaron, você tem que ter um ar de confiança sobre você mesmo. Essa é apenas uma parte de ser um líder. Você não pode hesitar. Você não pode pensar duas vezes. E eu meio que adquiri essa atitude quando me juntei à Aaron no backfield. É difícil de explicar. Sua confiança é simplesmente contagiante.

É por isso que quando ele veio ano passado e disse todo aquele negócio de “run the table”, eu estava feliz. Muitos caras estavam. Aquilo era simplesmente ele nos mostrando, e mostrando a todo o mundo, que tinha confiança na gente. Muitas pessoas tentaram nos colocar pressão para vencer após Aaron ter dito aquilo. Mas isso não nos incomodou, pois nós mesmo nós pressionávamos mais do que alguém fora do vestiário poderia.

Esse é apenas outro exemplo do que faz esse lugar ser tão especial. É o tipo de lugar onde os running backs vão lhe acolher, mesmo que você tome seu espaço no time. O tipo de lugar onde os técnicos vão tentar qualquer coisa e tudo para maximizar o talento do elenco, até mover um wide receiver para running back. O tipo de lugar onde o quarterback diz ao mundo que vamos vencer, e todos no time acreditam nele.

É tudo simplesmente… simplesmente Green Bay,

É parte do que faz ser um Green Bay Packer tão especial.

Foto: Jonathan Daniel/Getty Images

Esse ano, eu me sinto como um calouro novamente, o que é meio estranho, já que eu também sou o veterano na sala dos running backs. É minha primeira offseason me preparando para jogar como running back. Eu ganhei alguns quilos, bons quilos, quilos de running back. E estou pronto para colocá-los na prática.

É meio louco. Você nunca sabe o que Deus tem guardado para você. Nessa época ano passado, eu estava dizendo para minha esposa não tirar nossas coisas das caixas. Eu não tinha certeza se teria um emprego na semana 1. Agora, eu desempenho um papel chave no ataque.

Eu acho que é por isso que estou tão excitado sobre jogar como running back. Tendo técnico McCarthy me dizendo que os técnicos acham que eu posso ser um valioso contribuidor no backfield. E isso significa justamente isso. Eles acham que eu sou valioso. Eles me querem aqui. Eu sou parte do plano deles.

E isso significa o mundo para mim, por que minha esposa e eu amamos Green Bay. É divertido, eu nasci no Mississippi, cresci em Dallas e fui para a faculdade na Califórnia. E quando eu volto nesses lugares e conto às pessoas o quanto eu amo morar em Green Bay, eles pensam que eu estou brincando ou apenas tentando ser agradável. É uma cidade tão pequeno, e tão fria, e tão… Green Bay, que eu possivelmente não poderia amar isso mais do que eu digo que amo.

Mas eu honestamente amo.

Morar em Green Bay é ter uma vida simples. Não é lotado. Não tem trânsito. É quieto.

Tem um bom golfe, boa comida, boa cerveja. Excelente cerveja.

Mas o que realmente importa são as pessoas.

Minha esposa e eu fizemos muitos grandes amigos fora do time desde que chegamos aqui.

Nós amamos esse sentimento de cidade pequena. É realmente um senso de comunidade, e o Packers é a maior parte dessa comunidade. Eu penso que em um mundo de franquias de grandes mercados e contratos televisivos bilionários, o que nós temos aqui é raro.

É o tipo de coisa que só poderia acontecer em um lugar como Green Bay.

E após viver aqui, eu não sei se eu poderia voltar a viver em uma cidade grande. Eu talvez seja um cara de cidade pequena pelo resto da vida.

É realmente a oportunidade de uma vida para mim, jogar numa organização vitoriosa como o Packers. Com companheiros de time como os que eu tenho agora, grandes donos do time, e uma torcida fantástica em uma cidade incrível. E para mim ser uma peça chave em um time que busca ganhar o Super Bowl é uma benção ainda maior. É tudo que eu poderia ter pedido um dia.

Essa temporada, minha primeira completa como um running back, é apenas o começo. Eu amo isso em Green Bay, e eu espero que o plano de Deus na minha vida seja ser um Green Bay Packer para sempre.”

– Ty Mongomery

 

Link para a matéria original: https://www.theplayerstribune.com/ty-montgomery-packers-running-back/