Edmar acompanha o Packers desde o século passado e é interessado por tudo que envolve essa franquia quase centenária. Fã assumido de Ted Thompson, tenta provar que não é apenas mais um lover...

FINALMENTE COMEÇOU A TEMPORADA!!!! É difícil conter a animação e focar em algum assunto específico para inaugurar o primeiro texto do ano depois de tantos meses sem futebol americano, rolando.

Por isso juntamos os colaboradores Edmar Neto e Mateus Cabezudo, direto da redação para comentarmos alguns destaques do jogo de quinta-feira passada contra os Eagles, que abriu a pré-temporada para Mike McCarthy e companhia. Para começar, aqui vai um destaque positivo e um destaque negativo do jogo de ontem:

Edmar Neto:

Para mim, ambos os destaques vão para a defesa. É difícil apontar algo no primeiro jogo da pré-temporada, pois parece que qualquer coisa que for falada vai virar uma tendência para o resto do ano o que não é necessariamente verdade. Porém, mesmo com toda a cautela do mundo, podemos lembrar que ano passado observamos uma grande dificuldade da secundária nos primeiros jogos da temporada (principalmente contra os Raiders na pré-temporada e Jaguars na semana 1) e essa dificuldade se transformou no crucifixo que o time teve de carregar até o sepultamento final em Atlanta. Na quinta, a única coisa que chegou perto de levantar essa preocupação foram os tackles perdidos pelos titulares da defesa. Morgan Burnett, Clay Matthews, Kentrell Brice e Quinten Rollins tiveram sua cota de erros nesse fundamento nas primeiras séries do jogo. Por outro lado, eu queria ressaltar a excelente pressão exercida na linha ofensiva dos Eagles e o posicionamento dos jogadores, sempre perto da bola e com a possibilidade de parar a jogada a qualquer momento.

Mateus Cabezudo:

Realmente o time teve muitos tackles perdidos em toda a defesa e isso preocupa bastante, houve erros primários que não podem ser aceitos mesmo que em um de pré-temporada. É preciso correção destes fatores. Outra coisa que me incomodou foi a quantidade de fumbles no jogo. Na minha opinião, isso reflete algumas questões além da capacidade de segurar a bola como a falta de boas oportunidades para os running backs evitarem o primeiro contato. Dê uma forma geral não encaixamos as corridas. Isso é uma pena, pois elas vão ser fundamentais para desafogar Rodgers, e tirar a característica unidimensional do nosso ataque.

O linebacker Clay Matthews erra o tackle e perde um sack no quarterback Carson Wentz.

E.N.

Os fumbles em si não me preocupam, são detalhes de fundamentos que podem ser corrigidos se bem treinados e aplicados pelos jogadores. Acredito que Montgomery e companhia tem plenas condições de não deixar isso virar uma tendência. A falta de ritmo do ataque terrestre, sim, me incomodou bastante. Concordo com o termo “as corridas não encaixaram”. Esse é um detalhe interessante daqui para frente pois perdemos dois guards acima da média na NFL em dois anos consecutivos, e mesmo vendo o Lane Taylor “dar conta do recado” após a saída do Sitton os números do ataque terrestre caíram significativamente de 2015 para 2016. Eu torço para que essa tendência não continue em 2017, caso contrário teremos problemas. No lado positivo, ainda nesse aspecto, foi muito bom ver o Jamaal Williams encarar a parede e seguir em frente, bem como se espera dele, também foi bom ver o Ty Montgomery receber passes curtos e ganhar jardas no espaço à frente da linha ofensiva. É exatamente o complemento que se espera dos dois jogadores.

M.C.

Ainda assim acho que esse jogo reflete o que vem acontecendo nos treinamentos. Tendo em vista que o jogo terrestre não entrou fica aquela pergunta: “O resultado do training camp foi realmente bom?”, vamos esperar para ver contra o Redskins. Os wide recievers novatos também chamaram atenção: McCaffrey (3 recepções para 60 jardas), Yancey (3 recepções para 63 jardas) e Michael Clark (2 recepções para 19 jardas e 1 touchdown). Todos merecem um destaque positivo nesse primeiro jogo. Outro ponto foi nossa linha defensiva. Parece que teremos uma boa mescla experiência e juventude com Mike Daniels, Dean Lowry e Kenny Clark. Gostei da pressão que fizeram nesse jogo.

Mas por outro lado, nossa defesa continuou com alguns problemas que já vimos em anos anteriores: vamos rever o mesmo filme que visto contra o Cardinals nos playoffs de 2016? Onde diversos tackles perdidos nos custaram a classificação? Espero que não, mas amostra do primeiro jogo não passa muita confiança nesse aspecto, torço por uma nova postura já contra o Redskins, pois como e disse, esses erros não podem acontecer mesmo em um jogo de pré-temporada.

O wide reciever Michael Clark comemora com um tradicional “Lambeau Leap” o seu primeiro touchdown como jogador profissional.

E.N.

Eu concordo que os erros preocupam por serem repetitivos, mas fico muito mais aliviado em ver erros como os de quinta serem o maior problema do time. Acredito que erros de fundamento como tackles perdidos, “drops” e proteção da bola são facilmente corrigíveis, enquanto erros grotescos de proteção, confusão entre responsabilidades de cobertura, má comunicação entre quarterback e recebedor, não. Isso sem contar os clássicos problemas de lesão que podem acabar com uma temporada em um piscar de olhos, vide as lesões de Jordy Nelson e Sam Shields nos últimos anos. Mike McCarthy é um técnico que cobra demais seus jogadores pela “limpeza de fundamentos” (traduzindo uma frase que frequentemente aparece em suas entrevistas) e tenho certeza que a mensagem será passada e cobrada com rigidez durante as próximas semanas.

Os wide recievers realmente impressionaram no jogo. Mas uma coisa é ter tais números contra unidades reservas, outra coisa é conseguir agarrar uma bola contra defensive backs titulares na NFL. Torço para que Yancey, McCaffrey e Clark “subam no depth chart” e joguem alguns snaps contra titulares de Washington, aí sim poderemos avaliar o nível que eles se encontram. Dito isso, confesso que o meu maior desejo para essa unidade é pelo sucesso de Trevor Davis. Em um grupo inchado e competitivo como o grupo de recebedores nesse ano, se destacar nos special teams é essencial para chegar aos 53 titulares para o ano, receita que foi usada por Jeff Janis nos últimos anos. Janis porém, nunca chegou perto de render como wide reciever no ataque de Mike MCarthy o que rende como gunner no time de especialistas, e por isso hoje está em uma posição bem desconfortável, muito próximo de um jogador dispensável. É muito mais difícil achar um bom retornador que um bom “gunner” por isso creio que Davis tenha seu lugar garantido na lista dos 53, mas espero que além disso ele consiga ser mais um par de mãos uteis à disposição de Aaron Rodgers.

M.C.

De fato, Trevor Davis vem mostrando um bom trabalho e também acredito que possa estar entre os 53. De todo modo o grupo de wide receivers está bem competitivo e temos bons nomes entre os novatos para fazer sombra a Randall Cobb, que não vem justificando seu salário. É um ponto interessante de se pensar.

Outra coisa é sobre jogar contra titulares em Washington. É verdade e vai dar ainda mais “casca” para os novatos enfrentar jogadores mais experientes, espero um bom desempenho principalmente da unidade de running backs. Quero ver como se comportam nesse jogo e como vão solucionar os problemas que enfrentamos na última partida. Por fim, a melhor notícia desse jogo é que estamos cada dia mais próximos do início da temporada regular, entretanto ao mesmo tempo que tivemos vários problemas com lesões nessa semana. Vamos aguardar o que nos espera contra o Redsinks. Que venha uma vitória mais consistente de preferência!