Edmar acompanha o Packers desde o século passado e é interessado por tudo que envolve essa franquia quase centenária. Fã assumido de Ted Thompson, tenta provar que não é apenas mais um lover...

Depois de uma semana para lá de conturbada com nada mais nada menos que 13 lesões em todas as unidades o time (segundo o colunista Rob Demovsky), Mike McCarthy e companhia arrumam as malas para enfrentar os Redskins em Washington pelo segundo jogo da pré-temporada. Como não poderia deixar de ser, a principal atração do jogo ficará a cargo da estreia de Aaron Rodgers na temporada 2017-2018, mas como o futuro Hall of Famer deve jogar apenas uma série, no máximo duas (caso todas as partes estejam de bom humor), vamos falar de outros jogadores que devem receber um olhar especial no jogo de sábado. Para isso convidamos os colaboradores Edmar Neto, Bruno Gobbi e Mateus Cabezudo direto da redação a fim de discutir quem está na lista de “observáveis” para o jogo de sábado à noite.

Trevor Davis recebe um bloqueio providencial de Jordan Tripp a caminho de seu touchdown contra os Eagles.

Edmar Neto:

Com certeza, o detalhe mais importante para sábado é a presença de Aaron Rodgers em campo e como sua presença afetará o rendimento geral do ataque. Depois de um começo de jogo bem conturbado, a simples presença de Rodgers no campo deve dar ao ataque aquele espírito de rolo compressor que estamos acostumados.

Mas para falar de um jogador específico, minha grande torcida fica a cargo da participação de Trevor Davis no ataque. A quantidade de bons recebedores no elenco esse ano impressiona, e outros jogadores já chamaram atenção durante os treinamentos, mas o desempenho de Davis como retornador no jogo contra os Eagles deve lhe garantir um lugar entre os 53 titulares para a temporada. Mesmo assim, para que sua vida no elenco seja longa e próspera, sua presença no ataque deve aumentar, e para isso não adianta impressionar os técnicos Luke Getsy ou Mike McCarthy. O futuro empregador de Davis veste o número 12 no uniforme. Rodgers é a única pessoa em todo o time que Davis precisa impressionar para garantir snaps na temporada regular, uma vez que a confiança do quarterback titular é a garantia de ser alvo durante os jogos. Como Rodgers deve jogar poucas séries em Washington as oportunidades de Davis serão limitadas, fica aqui a torcida para que ele tire o melhor proveito da situação toda.

Bruno Gobbi:

Trevor Davis ainda tem muito a evoluir, concordo que ele precisa impressionar o Rodgers, mas acredito que a sua contribuição no ataque será apenas como “role player”. Temos 3 titulares consolidados (Nelson, Adams e Cobb) e restam possivelmente 3 vagas em disputa. Minha opinião é de que essas vagas devem ir para os melhores jogadores, e não acho que a vaga de Trevor Davis esteja garantida somente pelo seu papel no special team. Já tivemos muitos jogadores no elenco com participações limitadas em suas unidades, que garantiram sua vaga no elenco somente pelas suas atuações no time de especialistas, Jarrett Bush e Jeff Janis vêm imediatamente à lembrança, e descontando as duas Hail Marys do Janis em Arizona (que podem ser consideradas um dois eventos em um bilhão) nenhum deles teve sucesso fora do grupo de punts e kickoffs.

Praticamente todos os outros wide recievers chamaram mais a atenção que o Davis no training camp. E com exceção de Malachi Dupree que se lesionou, acho que todos eles deveriam ficar na frente do N°11 na fila para fazer o time. As lesões virão, todos os nossos recebedores titulares têm um histórico de lesões, e quando elas acontecerem o time precisa ter os melhores jogadores para entrar em campo.

O wide reciever Max McCaffrey se destacou na semana passada, com 3 em 7 tentativas recepções para 60 jardas.

Edmar Neto:

Mas nem só de wide recievers se faz um jogo aéreo. Tanto Martellus Bennett quando Lance Kendrics devem cumprir os papéis de 4° e 5° recebedores no campo, em condições normais e em caso de lesões. Também temos um running back titular que foi um wide reciever até o ano passado. E tenho absoluta certeza que Ty Montgomery será extensamente utilizado no jogo aéreo por Mike McCarthy. Sem contar que, nada garante que Davis será uma nulidade no ataque como foi Jeff Janis, acredito que ele pode aproveitar sua velocidade para ameaçar o fundo do campo em algumas jogadas esporádicas durante o jogo.

Por tudo isso, acho que vale muito mais a pena correr o risco de perder um dos outros recebedores quando os cortes finais vierem que perder uma legítima arma nos retornos de Trevor Davis. Entre Max McCaffrey, DeAngelo Yancey, Geronimo Allison, Michael Clark, Dupree e Janis, pelo menos dois deles devem se juntar à Davis no elenco final e é bem possível que até dois possam ficar no practice squad, minimizando ao máximo a perda dos jogadores nos cortes finais.

Mateus Cabezudo:

Em uma coisa concordamos: Em breve teremos que abrir uma unidade hospitalar no Packers, não é possível tantas lesões. Analisando quem não está lesionado para esse jogo eu quero ficar bem de olho em Kyler Fackrell. A 3ª escolha do draft do ano passado precisa mostrar a que veio nestes jogos de pré-temporada. Os linebackers de Green Bay são uma unidade sólida em diversos aspectos, jogadores bons e jovens que vêm em constante crescimento desde 2015. E um desses jogadores que ainda busca pelo seu lugar ao sol é o pequeno gigante Fackrell.

No jogo passado, ocorreram muitas infiltrações pela linha ofensiva adversária em que a falta de “alcance” evitou que a defesa parasse a jogada, principalmente nas corridas para a lateral do campo. Para a próxima partida os a atuação dos outside linebackers como um todo deve subir de nível, pois não devemos esquecer que os titulares Clay Matthews e Nick Perry têm um histórico de lesões preocupante. Portanto a rotação na posição será fundamental para a defesa ter um pass rush produtivo e manter as principais estrelas saudáveis até os playoffs. Provavelmente não veremos o rookie Vince Biegel em ação na pré-temporada, então é imperativo que Fackrell comece a se destacar.

Por fim, vejo que a programação de jogos do Packers na pré-temporada é ideal para o desenvolvimento dos jogadores, com equipes “melhores” a cada semana. O jogo de hoje à noite promete ser mais um bom teste para a nossa defesa, enquanto o principal jogo da pré-temporada na semana que vem deve nos dar uma boa dimensão de como o ataque vai se comportar durante a temporada.

O outside linebacker Jayrone Elliott prestes a derrubar Russell Wilson na semana 14 de 2016.

Edmar Neto:

De fato, o “depth” dos linebackers é um fator que me incomoda. Quando Fackrell chegou ao time no ano passado era nítido que ele precisaria de ao menos uma temporada inteira para atingir a sua melhor condição física por dois motivos: Ter saído de uma séria lesão no joelho apenas um ano antes e de ter naturalmente um porte mais “fino”. A combinação desses dois fatores indicava um acréscimo de peso bem gradual que aparentemente foi atingida nesse ano. Sem dúvida, esse é o momento de Fackrell e também de Jayrone Elliott se consolidarem como as alternativas à Matthews e Perry no grupo de pass rushers.

Elliott vem chamando a atenção de todos desde que chegou em Green Bay em 2014. Porém, por algum motivo nunca traduziu seus resultados de pré-temporada para a temporada regular. Curiosamente, quando teve oportunidades deixou sua marca em campo, como contra os Seattle Seahawks ano passado e Kansas City Chiefs e Dallas Cowboys em 2015. Creio que o “problema” seja consistência, e para esse problema específico nada melhor que uma boa dose de snaps durante os treinos e jogos. Por isso torço que Fackrell e Elliott recebam a maior quantidade de snaps possível hoje a noite, pois nunca saberemos quando os reservas serão necessários no time titular.