Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

Indianapolis sedia o Combine 2017, em que muitos dos mais promissores talentos para a(s) próxima(s) temporada(s) se submetem a verdadeiros testes olímpicos de força e agilidade, aos quais os grandes vencedores estarão no radar das franquias para o recrutamento da Temporada 2017/18. Mais uma vez o evento cumpre seu papel de ser uma das grandes oportunidades dos times conhecerem o mercado e as novas apostas e de nós, meros amantes, acompanharmos as especulações.

Um dos principais destaques dos treinos foi o Wide Receiver de Washington, John Ross. Desta vez não pelos seus números (18 touchdowns em 14 jogos em 2016, o recorde em sua carreira no College Football defendendo Washington), mas pelo seu impressionante desempenho na corrida de 40 jardas, com um tempo de 4,22 segundos. Esta marca histórica superou os 4,24 segundos de Chris Johnson. Ross fez como alguns prospectos ja fizeram no passado e se descolou de todas as projeções e expectativas pré-Combine. Mas, fica um alerta: se destacar nos testes físicos é fundamental, mas não é tudo.

John Ross, o novo recordista da corrida de 40 jardas no NFL Combine. Fonte: Sportsnet

Longe de mim, menosprezar as maravilhas que os jogadores fazem, mas temos que sempre ter em mente que os testes de força e velocidade são importantes para testar a dinâmica dos jogadores e sua capacidade física, porém, eles não se resumem a tudo o que acontece ou se precisa saber sobre o jogo. Correr a 34km/h como correu Ross, sem pads e sem qualquer marcação ou obstáculo é algo completamente diferente do que ocorre em jogo. Não é algo que se repetirá e não é a garantia de que o jogador possui o know-how necessário para a NFL. O mesmo se aplica aos testes de levantamento de peso e de impulsão, que dão importantes noções de força e capacidade atlética do jogador que podem ser aplicados em um jogo. A questão-chave será como utilizar cada uma destas ferramentas quando o desafio real acontecer. Muitos jogadores brilhantes no Combine não tiveram a mesma sorte na NFL.

Um exemplo da história recente do Packers com estes jogadores pode servir para apimentar o debate: Trevor Davis, draftado na quinta rodada do ano passado, após ter tido desempenho relevante no Combine, com 4,42 segundos na corrida de 40 jardas e ter recebido passes de Jared Goff. A expectativa de um bom Wide Receiver se quebrou assim que ele provou que não estava pronto, sobretudo mentalmente, e hoje permanece como um problema ao Packers em mantê-lo no elenco.

Trevor Davis, quando atuou por Green Bay. Fonte: ACME Packing Company

Outro exemplo recai ao Jets e seu então Defensive End Vernon Gholston, que se destacou nos testes físicos, foi draftado em 2008 na sexta rodada e não anotou sacks em 3 anos de time (foi starter em apenas 5 jogos).

Assim sendo, qual o segredo para o Packers nesta época? O segredo é analisar profundamente os prospectos que lhe chamaram a atenção e verificar sempre o equilíbrio em duas frentes: física e mental.  A primeira se observa imediatamente no Combine, com os testes de aptidão. A segunda necessita de um trabalho mais prolongado, com entrevistas, análises de perfil e técnicas dos prospectos,  de acordo com cada  posição. É importante para um jogador de defesa, por exemplo, ter os dois bem afinados, mas principalmente a mente, para uma rápida leitura das jogadas e a realização de uma ação eficaz no jogo. Algo do tipo pode ser pensado para TJ Watt, irmão de JJ Watt, que mostrou vigor físico semelhante ao de Clay Matthews no Combine, reforçando especulações em Green Bay. Hoje, sabemos que Clay atende plenamente os dois requisitos, sendo nosso principal Linebacker, estaria TJ Watt pronto para sua promissora carreira?

TJ Watt, a promessa para o Draft. Fonte: Milwaukee Journal Sentinel

É raro Green Bay se apaixonar exclusivamente pelo desempenho físico de um jogador. E sabendo-se do perfil de recrutamento de Ted Thompson, cuidadosas análises serão feitas. O Packers se encontra em um importante momento para a temporada 2017, com a janela de renovação repleta de bons quadros e a não velada pressão para voltar ao Super Bowl. Cada movimento agora é chave para o rumo de uma temporada de um time. Já aos atletas, futuros ídolos da NFL, nunca um cliché será tão bem aplicado quanto este: “mente sã, corpo são“.