Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

Rodada 4, pick 134 e o Green Bay Packers seleciona o Running Back de BYU Jamaal Williams. A escolha em si evidencia que o time também buscou, além de reforçar a defesa, incrementar poder ao ataque terrestre, algo que, quando paramos para pensar, faz total sentido. Nas últimas temporadas, o setor não produziu os resultados que lhe eram esperados, trazendo incertezas. Um dos principais pilares do jogo corrido, Eddie Lacy, sofreu nas últimas temporadas com queda de produtividade e uma lesão que lhe comprometeu o ano de 2016. Seus substitutos não tiveram no geral uma performance aceitável e até um outro corredor foi contratado: Chrstine Michael, mas sem sucesso. Como consequência, o time viu abrirem-se fragilidades no ataque e um aumento de pressão sobre as jogadas de passe comandadas por Aaron Rodgers. A única boa notícia quanto ao jogo corrido veio a partir da surpreendente improvisação de Ty Montgomery, tornando-se um dos principais jogadores da temporada, contribuindo decisivamente nas duas dimensões ofensivas: chão e ar. 2017 veio e com ele as saídas de James Starks e Chrstine Michael. Ty foi promovido a Running Back principal e passou a receber treinamentos específicos para apoiar em sua transição definitiva, mas apenas isso não ajudaria a resolver os problemas. Ele ainda precisa de um parceiro e o Draft pode surgir como um solucionador dessa necessidade, a partir do recrutamento de um bom Running Back potencial.

Ty Montgomery: do improviso à confirmação como Running Back principal. Ty voltou mais forte para uma temporada importante em sua carreira. Fonte: USA TODAY

Jamaal Williams possui bons números e qualificações que ajudam a compor expectativas sobre sua chegada e como ele poderá funcionar em conjunto com Ty. Em seus 4 anos de College por Brigham Young (BYU) obteve 36 touchdowns, sendo seu primeiro e último anos os principais de sua carreira. Em 2012, foram 13 touchdowns, sendo 12 por terra e 1 por ar, além de 4,7 jardas/carregada. Em 2016, foram 12 touchdowns, todos por terra e 5,9 jardas/carregada. Sua evolução nos números chamou a atenção dos especialistas, sobretudo quando aliada ao seu atleticismo. Williams possui uma grande capacidade de equilíbrio contra a pressão dos jogadores adversários, além da ser um interessante conquistador de jardas e conhecedor de técnicas de como esconder a bola. Quanto as últimas duas habilidades, duas interessantes estatísticas:

  •  aumentou em mais de 25% sua produção de jardas/carregada, alcançando a marca de 1.375 jardas após 234 corridas em 10 jogos no ano passado. Além disso, forçou que os adversários errassem contra ele 55 tackles, significando a 8ª maior marca dentre os corredores aptos ao NFL Draft 2017;
  •  sofreu apenas 2 fumbles ao longo dos 369 toques na bola durante a última temporada.
Jamaal Williams por BYU. Hoje, uma das esperanças do Packers no reforço ao jogo terrestre. Fonte: USA TODAY

Sua força física é uma característica interessante que quando combinada ao estilo de jogo de Ty poderá render bons resultados ao time. Montgomery é agil e igualmente forte, podendo inclusive receber passes, dada sua experiência como corredor. Williams forte contra tackles e explosivo pode agregar um poderío ofensivo interessante, ajudando o Packers a reverter uma tendência negativa observada dos últimos 4 anos: a perda da força do jogo terrestre. Em 2013, o time era 7ª maior marca da temporada regular no setor, com 133,5 jardas/jogo. Porém, ano após ano o time caiu de produção nos rankings amargando em 2016 a 20ª posição com 106,3 jardas/jogo (queda de mais de 20% nos últimos 4 anos). A produção por tentativa de jogada apresentou uma ligeira piora (4,7 jardas/carregada em 2013; 4,5 jardas/carregada em 2016), mas ainda levemente acima da média do período (4,45 jardas/carregada), isto muito pelo efeito Montgomery na suplência da equipe de corredores no último ano.
As perspectivas de como poderá trabalhar a dupla são boas, mas vale considerar que estas entregas necessitarão de tempo de maturação, uma vez que Williams possui, como todos os rookies, ainda alguns pontos a serem trabalhados como: aclimatação à liga, experiências de trabalhar fora do backfield e o poder de quebrar tackles mais duros que os que enfrentou no College. É um primeiro passo à evolução do ataque, em busca de um maior balanceamento. Resta verificar nos treinamentos, como Williams reagirá, sobretudo dentro de um ambiente competitivo (como desejava ter McCarthy), com a presença de outros 2 corredores: Aaron Jones e Devante Mays. Jamaal Williams tem em suas mãos as chaves para ser importante ao Packers e se dar bem na liga. É questão de esperar e torcer para que elas tais chaves se encaixem na fechadura cheesehead.