Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

Fim de Draft e o Packers saiu do evento na Philadelphia com 2 escolhas mais do que entrou, graças às trocas realizadas durante os 3 dias com Browns e Broncos. Das 10 escolhas que teve, Ted Thompson centrou as 4 primeiras nas necessidades da defesa, com os recrutamentos de: Kelvin King (Coner Back de Washington), Josh Jones (Safety de North Carolina State), Montravius Adams (Defensive Tackle de Auburn) e Vince Biegel (Line Backer de Wisconsin). Tendo em vista a situação defensiva e as needs do time, o que podemos esperar com a adição destes novos jogadores?

O Packers optou por focar em prospectos defensivos na sua primeira escolha pelo sexto ano seguido. É a continuidade da estratégia de Thompson de reforçar a unidade defensiva e a partir disto montar um time competitivo para a próxima temporada. A estratégia utilizada desde 2012 oscila nos resultados entregues e a esperança para os torcedores cheeseheads é de que este ano as coisas sejam diferentes. Na última temporada, o time figurou apenas como a 22ª melhor marca na cessão de jardas por jogo e a 20ª menor concessão de pontos por partida. Em média, na temporada regular, o time fez 27 pontos e cedeu 24,1. Mas quando olhada a pós-temporada, a situação foi de considerável piora, em que foram marcados 31 pontos e cedidos 29,3 por jogo, o que foi o suficiente para colocar o time como a pior defesa da pós-temporada.

Durante o Draft, o time soube fazer avaliações e recrutamentos precisos, mostrando a partir dos rookies que há espaços para se resolver os problemas de cobertura de jogadas e cessão de pontos. Para conhecermos um pouco cada um dos novos jogadores de defesa, abaixo destacamos um pouco mais sobre as 4 adições:

Para a secundária, dois nomes surgem com alta relevância: Kelvin King e Josh Jones. King, se destaca pela altura e pela habilidade de permitir poucas recepções dos Wide Receivers e Tight Ends que o enfrentam. Com 1,91m de altura, King é paciente e sabe agir no momento certo para cobrir rotas e tentativas de passes, usando sempre sua altura como aliada. Nos últimos dois anos no College anotou 83 tackles e 5 interceptações, com destaque a interceptação com uma mão em partida contra Arizona State. Como ponto de atenção fica a necessidade dele trabalhar um pouco a velocidade, para que consiga otimizar sua ação no campo.

Kelvin King em Washington. Fonte: Zimbio

Já Josh Jones, vindo de North Carolina State possui a missão de aportar força à secundária do time, junto ao corpo de Safeties. Agressivo, intenso e com ótimo atleticismo nas coberturas de jogadas de alta profundidade, apresentou notável crescimento em sua segunda temporada de College. Em 2015, produziu 63 tackles e 1 interceptação. Já em 2016, foram 109 tackles e 3 interceptações. Com esses números, espera-se verocidade na defesa do Packers contra passes, ajudando muito em um setor que foi bastante criticado na última temporada.

Josh Jones em partida por North Carolina. Fonte: The News and Observe

Ambos mostram uma nova tendência à secundária do time, de maior força e agilidade, o que combina com a linha de pensamento de Elliot Wolf, Diretor de Operações do Packers: “(A combinação força + agilidade) É o necessário para que jogadas mais explosivas e assertivas sejam feitas, aprimorando a cobertura nos lados do campo“, disse. Para que possamos ter ideia do que se espera de ganhos de agilidade no time, as marcas dos dois jogadores Combine: Kings correu 40 jardas em 4,43 segundos, enquanto Jones fez a mesma distância em 4,41 segundos. Isto equivale a cerca de 8,5 metros por segundo!

A terceira aquisição foi a do Defensive Tackle de Auburn, Montravius Adams, que se destacou por sua explosão nas disputas com adversários e com um ótimo trabalho de bloqueio e pouca cessão de gaps. Na última temporada, ele apresentou um notável desempenho, com 26 tackles solo, 4 sacks e 1 interceptação. Em sua carreira no College, foi responsável por 77 tackles solo, participou de outros 70, fez 10,5 sacks e 2 interceptações. Esses bons números podem ser potencializados com o aprimoramento do seu trabalho de mão e movimentação lateral no pass rush.

Montravius Adams em Auburn. Fonte: Auburn Atlethics

Por fim, Vince Biegel, Line Backer de Wisconsin, que foi o capitão do time e já sabe como exercer a liderança junto aos seus companheiros de defesa. Se diferencia também pela ação rápida de blocks e na leitura preventiva das chamadas de corrida e/ou passe. Possui na família o DNA do futebol americano, sendo que seu pai, tio, avô e irmão mais novo já praticaram o esporte na universidade. Nos seus tempos de Wisconsin, produziu 88 tackles, participou de outros 43, e realizou 15 sacks.

Vince Biegel por Wisconsin. Fonte: Wisconsin Atlethics

O Packers utilizou neste ano um foco diferenciado para uma mesma estratégia e este foco promete render bons frutos ao time. Evoluir um front tão sensível quanto foi na última temporada é algo fundamental. Ted Thompson sinalizou em entrevista a ESPN norte-americana que utilizou esse viés em suas escolhas: “Penso que sempre tentamos nos tonar mais ágeis e isto não é ruim. Futebol americano é explosão, velocidade e habilidade atlética. Não é mais o mesmo esporte de nossos avôs. Todo mundo é rápido e explosivo e estamos buscando isso”.

O resultado esperado é que durante os camps os rookies tenham suas habilidades exploradas e adaptáveis ao playbook, unindo seus diferenciais de força e velocidade com o que já temos de bons valores. É um Draft com perspectivas animadoras e tomara que se confirmem. Evolução sempre é preciso, sobretudo quando se tem um ano com um calendário desafiador.