Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

Nesta semana a ESPN norte-americana divulgou um ranking sobre a estabilidade dos 32 times da NFL. Este tema é fundamental não só para um time, mas para tudo o que você quer fazer, caro leitor.


Ser estável para um time significa manter e criar todas as condições necessárias para o desenvolvimento de suas capacidades, além de seu fortalecimento técnico e psicológico. Tudo isso contribui e muito para o cumprimento de seus objetivos. Desta forma, ter uma estratégia de onde chegar e criar ambiente favorável para isso torna-se indispensável para qualquer concorrente ao título da NFL.

Por trás desse embasamento, muito se discute sobre qual o modelo deve ser seguido para um caminho de vitórias ou para se fugir de uma temporada para lamentações. O ranking de estabilidade tenta nos ajudar nesta tarefa. Foram avaliados desde a temporada 2012 itens como: rotatividade de jogadores, longevidade da comissão técnica e aproveitamento dos jogadores nas últimas 3 de 5 temporadas. Os times que tendem a alterar menos os seus elencos, tendem a apresentar resultados melhores.

Os campeões desse ranking acabam por apresentar semelhanças e peculiaridades nos seus modus operandi. Falo de Patriots e Packers, que foram classificados respectivamente como #1 e 2. New England vem no ciclo final de um trabalho de quase 2 décadas, sob o comando de Bill Beliechik e Tom Brady que contaram com a ajuda de uma cultura que busca a continua perseguição pela melhora.

Já nosso Packers não apresenta modificações significativas em seu corpo técnico desde 2012 e apresenta uma das mais baixas taxas de rotatividade em seus jogadores nas partidas, sendo o #29 da liga. Isto significa que dos jogadores que vemos em campo, poucas são as carinhas novas, mesmo nos nossos momentos mais turbulentos. O que isso nos mostra é o desejo de construção de uma base para alcançar enfim um novo Vince Lombardi Trophy. Porém, construir esta base apenas sob o alicerce da consistência de elenco não é o suficiente. É necessário utilizar a baixa rotatividade ao seu favor no médio e longo prazo, em que os setores mais carentes sejam reformulados, permitindo um crescimento orgânico e uma solidificação do time perante seus concorrentes.

O Packers possui um bom elenco de jogadores e apesar de dolorosas derrotas nos Playoffs, o time vem aparecendo na pós temporada com constância. Sempre figura entre os favoritos e consegue realizar bons papéis. Mas para que o favoritismo se confirme é necessário mais e esse mais passa pela inteligência de se reinventar.

Se olharmos os últimos anos e projetamos nossa necessidade maior, a defesa merecerá muita atenção. Na última temporada, sofremos com baixas importantes e uma secundária instável, o que comprometia todo o trabalho da unidade de ataque. Considerando este histórico e que mais uma vez figuramos dentre os favoritos, este pode ser o setor a se reforçar, dando mais solidez ao time. Para tanto, Draft e Free Agency devem ser olhados com atenção.

Sabemos que o estilo de ação do Packers é cauteloso na offseason, mas ser extremamente assertivo no recrutamento deve ser a tônica. Falando mais especificamente na Free Agency, onde esta cautela se manifesta, quadros defensivos interessantes podem ser considerados para reforço da unidade defensiva, como: CBs Stephon Gilmore  (12 INTs pelos Bills em 2016) e AJ Bouye  (62 tackles pelos Texans). Da mesma forma, o Draft pode suprir as baixas de James Starks e Sam Shields e vir a prevenir um especulado corte de TJ Lang (esperamos que ele fique).Outros nomes que receberão nossa atenção nesse período são: Jullius Peppers, Datone Jones e Nick Perry  (OLB), Jared Cook  (TE), Brett Goode e Micay Hyde (S), JC Tretter  (C), Don Barclay  (RT) e Christine Michael (RB).

O nosso caminho para o sonhado Super Bowl LII, na casa do rival Vikings, passa pela inteligência nessa recomposição, fortalecendo o time e dando mais tranquilidade para o trabalho do genial Aaron Rodgers (que já manifestou o desejo de disputar e ganhar outro anel). Estabilidade em um time ou como em tudo na vida é fundamental ter, mas ter sagacidade para mantê-la é tão importante quanto.