Apaixonado por esportes, história e números, principalmente quando misturados com a magia e tradição de um dos principais times da NFL. Abordagens sobre o cotidiano do Green Bay Packers, assim como suas curiosidades e estatísticas. #GoPackGo

4-4… Após uma turbulenta semana, com derrota em casa para os Lions e a polêmica saída de Martellus Bennett, os Packers voltam a campo e pela frente terão mais um clássico divisional fundamental. Essa grandeza que a partida contra os Bears possui passa pelos seguintes pontos:

i. Reafirmação: Green Bay não vence há 3 jogos, mesmo período passado da lesão de Aaron Rodgers, em que os Packers não encaixaram boas partidas, muito pela sua ausência, como, principalmente, pela postura em campo que pouco mostrava um poder de reação e superação da grande barreira que é duelar sem sua estrela. A prova dessa linha de raciocínio foi a última segunda, em que dentro de sua casa Green Bay foi massacrado por Detroit em uma de suas piores apresentações nos últimos anos, certamente a pior dos 8 jogos realizados até aqui. Vencer os Bears, seu mais antigo rival, fora de casa pode ser um ponto de inflexão positivo aos Packers, na busca por uma vaga aos offs. Mas, um novo revés pode ajudar a esquentar as coisas em Green Bay

ii. Campeonato: Green Bay se colocou em situação dramática na NFL e que possui tudo para piorar, caso uma nova derrota aconteça, em que os Packers assumiriam a lanterna da divisão, com campanha negativa (4-5) e sendo ultrapassado pelos Bears por melhor retrospecto na divisão, sendo o jogo no Soldier Field o fator determinante da inversão de posições. Adicionalmente, os Packers se distanciaram da luta pela divisão e pelos offs, podendo ficar 3 jogos atrás dos Vikings e 2 jogos atrás dos Lions, caso tais times vençam seus jogos. Só a vitória interessa!!

Chicago, por sua vez, também vem de derrota na última semana, mas apresenta um momento completamente oposto, em que a aposta em Mitchel Trubisky vem dando resultados positivos e o time conseguiu, desde sua entrada 2-2 e com boas apresentações no geral. Enfrentar um fragilizado Packers, em casa, pode ser um combustível importantíssimo para o time, que chega pela primeira vez em 9 anos como favorito no confronto.

Todos estes ingredientes citados agitarão o 196º encontro entre Packers e Bears. Green Bay lidera com 95 vitórias, sendo a última neste ano, em 28/09, por 35-14, no Lambeau Field. Naquela noite, os Packers tiveram uma atuação de gala e venceram sem dificuldades o time de Chicago. A dupla de jogo terrestre (Howard e Cohen) pouco produziu e Mike Glennon teve uma noite para esquecer. Neste domingo, os Bears buscarão empatar novamente a série histórica e quebrar o jejum de 7 anos sem vencer os Packers no Soldier Field. Para tentar evitar isso, alguns pontos devem ser considerados durante a partida. Vamos conhecê-los um pouco mais:

1. Packers x Packers
Antes de qualquer coisa, o Green Bay Packers precisa vencer o duelo contigo mesmo. Esse será o principal matchup não apenas para a partida contra os Bears, mas para o resto da temporada. O último Monday Night Football trouxe lições importantes que precisam ser consideradas internamente. É preciso ter espírito de luta e entrega em todos os 60 minutos e ele deve ser em dobro, principalmente quando se perde a principal força. É obvio que as chances do Packers diminuíram com a saída de Rodgers, mas é preciso encarar que isso não é o fim da temporada do time, mas uma oportunidade de superação e provação da força do elenco. Nos últimos 3 jogos não percebemos toda a entrega que o time pode ter e o último jogo foi a visão mais explícita e estarrecedora disso. Uma outra lição a ser aprendida passa pela comissão técnica que precisa rever suas convicções: o conservadorismo de McCarthy, sobretudo na formação das jogadas com Hundley atrapalha que todo o potencial do jovem Quaterback seja usado. Não dizemos que Hundley não possui sua parcela de culpa (possui, mas é a menor de todas parcelas), mas as chamadas para ele igualmente não ajudam na evolução do ataque e minam qualquer chance de utilização do potente ataque terrestre, que igualmente não vem bem. No lado defensivo, falar que Dom Capers segue errando é um pleonasmo, chamadas ruins na defesa a escolha por jogadores que não estão produzindo. Um exemplo: Davon House, que foi queimado na maioria das jogadas pelos recebedores dos Lions e cedendo relevante quantidade de jardas. Para que Green Bay consiga vencer, as condições precisam ser criadas e para isso, técnicos e jogadores precisam rever seus conceitos e buscar amenizar a Aaron Rodgers dependência que o time vive. É possível e ter isso em mente é fundamental.

2. Jogo corrido CHI x Defesa GB
Um dos grandes pontos na partida no Lambeau Field foi a excelente proteção contra o jogo terrestre. Apesar de Green Bay não apresentar grandes marcas na proteção contra corridas e Chicago ser um dos melhores times correndo com a bola, na partida as estatísticas e pré-definições sobre os times não prevaleceram e a dupla Jordan Howard e Tarik Cohen não conseguiu grande produção, ficando apenas com 77 jardas combinadas em 24 tentativas (Chicago registrou 103 jardas terrestres na partida). As ótimas performances de Mike Daniels, Clay Matthews e Blake Martinez foram as responsáveis pela supremacia defensiva dos Packers. Neste domingo, os duelos se repetirão, e o cenário desenhado no pré-jogo novamente não é positivo, em que Chicago chega como  6ª melhor marca de jardas terrestres/jogo (130,1), enquanto Green Bay fecha o top-10 das piores defesas contra corrida (118 jardas/jogo). Sobre as estratégias para parar aquele que mais carregou bolas após Ezekiel Elliot em 2016 (Jordan Howard), Dom Capers se posicionou da seguinte forma essa semana:

“Este será um grande fator, obviamente…Penso que nosso garotos fizeram um grande trabalho aqui contra os Bears no primeiro jogo. Eles estavam comprometidos a correr com a bola como qualquer time da National Football League. O que não queremos é que Howard cruze o campo contra nós… Nós vemos ele levar tackles e ainda ganhar 4 ou 5 jardas extras após o contato inicial…Será um jogo físico.Nós vamos ter que jogar um bom jogo na proteção terrestre. Mas, nos vi no passado fazendo isso”

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Dom Capers, a unanimidade da não unanimidade dele no comando da defesa dos Packers. Quais os planos de Capers para a defesa na reta final da temporada? FONTE: CHEESEHEAD TV

3. Brett Hundley x Defesa CHI

Brett Hundley terá mais um trabalho difícil em conseguir superar as pressões psicológica e física no jogo. A pressão psicológica passará pela ponto da confiança ainda abalada que o jovem Quaterback possui, de ainda não ter toda a química desejada com o time e ter a missão de suprir Aaron Rodgers. Mas, ainda sim, Hundley precisa de tranquilidade para utilizar algumas das armas que lhe favoreceram no College, como a velocidade, quando preciso correr e o bom trabalho em executar options. Novamente o jogo terrestre será uma importante chave, com Aaron Jones e Ty Montgomery. De igual forma, Hundley poderá utilizar mais vezes o no huddle, iniciando as jogadas com uma velocidade maior e com mais chances de surpreender a defesa dos Bears, além de ser um meio de tentar reviabilizar o uso do jogo aéreo. Quando usou o no huddle, Hundley teve bom momentos, o que pode ser um incentivo para uso.

Por trás dessa evolução de Hundley no jogo, confrontos importantes desde a Linha de Scrimmage devem ser lembrados. Mais uma vez, Green Bay não deve ter a linha ofensiva titular presente no jogo, restando para Lane Taylor, Lucas Patrick, Core Linsley, Jahri Evans e Ulrick John segurarem jogadores como Ankiem Hicks, Eddie Goldman, Mitch Unrein, Leonard Floys, Nicky Kwiatkoski, John Timu e Pernell McPhee, visando proporcionar boas condições para Hundley e para o jogo corrido. Da mesma forma, os recebedores deverão ficar atentos com Prince Amukara, principalmente, que deve acompanhar o principal alvo atualmente do time, Davante Adams.

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Davante Adams marcando touchdown na partida de setembro deste ano. FONTE: SB NATION

Green Bay entrará muito pressionado para o jogo e Hundley sabe que será sobre ele que a pressão vai se concentrar, mas alerta que toda essa pressão pode ter um ponto negativo para essa reconstrução do time:

“Nós tivemos a bola saindo e não nos movemos. Temos que marcar alguns pontos. Uma vez que tenhamos ritmo, nós nos movermos eficientemente com a bola. Temos que pegá-la e marcar pontos todo o tempo… A urgência da vitória sempre será alta. Mas, ao mesmo tempo, não podemos nos implodir. Tivemos outra oportunidade essa semana e agora temos que fazer o que tivermos que fazer” 

Além dos pontos levantados, a defesa aérea dos Packers ainda precisará de boa performance contra o jogo de passes, principalmente com a evolução que a unidade aérea dos Bears teve desde a chegada de Trubyski como titular. Um outro quaterback novato em campo também traz consigo o risco de turnovers e ele possui 2 interceptações como recorde dos seus jogos. Ha Ha Clinton Dix se apresenta como um jogador importante pela secundária, que novamente se vê desfalcada por Morgan Burnett. Dix que vem apresentando uma temporada discreta, sem intercptações e com 43 sacks totais, pode encontrar na partida contra os Bears a chance de crescimento, acompanhando os passes na direção de Kendall Wright e Zach Miller, os líderes de recpeções por Chicago.

Um jogo tenso se desenha em que ninguém quer e pode perder a uma vitória sobre o rival pode ajudar a melhorar consideravelmente o clima. Ao Packers, é a chance de escapar um buraco que o próprio time armou apoiado na lesão de Rodgers. Agora é hora de escapar dele e temos que escapar!