
Mais uma vez, Aaron Rodgers causa tumulto em uma franquia e gera problemas dentro e fora de campo.
Me lembro com perfeição aonde eu estava no draft de 2020. Lembro da sensação de ouvir o comissário chamar Jordan Love como a escolha de primeira rodada de Green Bay. Lembro de ter ficado bravo na hora e, uns trinta minutos depois, entender a pick. Defendi ela nos grupos de futebol americano que fazia parte na época. Aaron Rodgers estava velho, vinha de uma temporada abaixo, estava novamente começando a encher o saco com uma possível troca ou aposentadoria, e Green Bay precisava pensar e planejar o futuro. Ninguém esperava, em sã consciencia, que Rodgers venceria o prêmio de MVP nas duas temproadas seguintes.
Geralmente, eu fico triste quando um jogador importante sai do clube. Fiquei mal com a saída de Davante Adams, Preston Smith, Aaron Jones, David Bakhtiari, Clay Matthews... Mas não com a saída de Rodgers. É engraçado isso, mas eu lembro de receber a notícia que ele havia sido trocado e sentir um alivio. Lembro de sentar no sofá de casa e suspirar de felicidade, de paz. Finalmente eu teria uma offseason inteira sem drama de um quarterback, sem notícias bizarras sobre esse jogador que, embora talentoso, é uma diva no pior sentido da palavra. O caso mais recente envolvendo o veterano foi a demissão de Robert Saleh como HC do Jets, e eu dei graças a Deus que não é no meu time.
Não acho que ninguém seja louco o bastante para falar que Rodgers não é um tremendo quarterback. Não é exagero listá-lo como um dos melhores da história do esporte. Mas as recentes notícias deixaram claro que a partida dele foi a melhor coisa que o Packers poderia ter feito. Rodgers foi o responsável pela contratação de Nathaniel Hackett para o cargo de Coordenador Ofensivo do Jets, apesar do péssimo desempenho dele em Denver. Rodgers foi o responsável pela contratação de nomes como Marcedes Lewis e Allen Lazard, que não só não rendem como ainda atrapalham no desenvolvimento de um excelente recebedor como Garrett Wilson. Robert Saleh é um coordenador defensivo em essência, e a defesa do Jets continua sendo uma das melhores de toda a liga. O problema era o ataque. Era o coordenador, o quarterback, a linha ofensiva. Quem pagou o pato foi Robert Saleh. Quem deveria ter pago esse pato era Hackett. Na queda de braço por comando, escolheram Rodgers a Saleh. Se foi a decisão certa ou não, só o tempo dirá.

Criador: Al Bello | Crédito: Getty Images
Segundo as notícias mais recentes, Saleh estava muito descontente com as chamadas ofensivas de Hackett e com o desempenho pífio de Rodgers. No avião voltando da partida em Londres, o HC teria discutido com o QB sobre suas prioridades, citando que Rodgers "Passou os treinos obrigatórios [OTAs] vendo a Pirâmide de Gizé!". Chegando em Nova York, Saleh informou que Hackett não chamaria mais as jogadas ofensivas da equipe nessa temporada. 5 minutos depois, Saleh foi demitido e escoltado para fora do prédio, não tendo a chance de se despedir de seus jogadores. Existe também a chance de Saleh e o dono do Jets, Woody Johnson, terem tido uma polêmica envolvendo a guerra no Líbano. Johnson é judeu e Saleh tem descendência libanesa, tendo usado um broche com a bandeira do Líbano em seu uniforme nas últimas semanas. Porém, essa parte não passa de especulação.
Como Antony Curti descreveu no seu canal no YouTube, Aaron Rodgers é como um elemento radioativo. Quando as coisas estão bem (leia-se: do jeito dele), seu desempenho dentro de campo é formidável e a equipe está bem. Mas quando não é ele quem está com todo o poder na equipe... Como uma criança mimada pelos pais, Rodgers não aceita que nada não seja do seu jeito e briga com qualquer um que tenha coragem de enfrentá-lo. Além disso, não importa quão mal ele jogue, a culpa nunca será dele. Será da chamada, da OL, do recebedor, do vento, da astrologia, das placas tectônicas se movendo. Nunca dele. Ele é perfeito demais para cometer erros, certo?
Errado. Foi isso que aconteceu em Green Bay, e uma organização séria decidiu criar um plano de sucessão pós-Rodgers. Assim que teve a oportunidade, trocou-o com uma outra organização que precisava desesperadamente de uma salvação. O Jets encontrou o produto na prateleira do mercado e quis comprar, mas esqueceu de ler as letras miúdas na embalagem. Não é apenas o Rodgers quarterback Hall da Fama que vem no pacote. É o Rodgers como um todo. Com as polêmicas, as decepções, a falta de responsabilidade em admitir erros, o fato dele querer ser QB, OC, HC e GM.
Aaron Rodgers sequestrou mais uma franquia. E, como uma pessoa com Síndrome de Estocolmo, a vítima preferiu escolher o sequestrador a um possível salvador. Robert Saleh não é perfeito, longe disso. Mas estava claro que o problema ali não era ele, e sim o quarterback e seus amigos, com isso envolvendo o coordenador ofensivo péssimo que contrataram para agradar ele.
Eu não sinto saudades de Aaron Rodgers. Do jogador Rodgers, dos passes mágicos e do domínio em jogo, talvez. Mas junto desse Rodgers vem a diva, a criança mimada. Na soma das duas coisas, Rodgers faz mais mal que bem às franquias pelas quais joga. E eu não sinto falta dele.







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